Cotidiano

FIQUE EM CASA: Médicos apontam melhor forma de se proteger em MS no auge da pandemia

A pandemia de coronavírus chegou ao seu pior momento em MS. Os especialistas são taxativos ao dizer que é preciso ficar em casa.

Mylena Rocha Publicado em 11/03/2021, às 10h55 - Atualizado às 15h53

Mato Grosso do Sul bateu recorde de número de mortes por Covid-19. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)
Mato Grosso do Sul bateu recorde de número de mortes por Covid-19. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax) - Mato Grosso do Sul bateu recorde de número de mortes por Covid-19. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

A pandemia de coronavírus chegou ao seu pior momento em Mato Grosso do Sul, já são 3,5 mil mortes com recorde de internações em MS. O Estado vive um momento crítico e é preciso ‘apertar os cintos’ para evitar que a doença se espalhe cada vez mais. Os especialistas são taxativos ao dizer que é preciso ficar em casa, mais do que nunca. Para quem precisa trabalhar, algumas dicas podem ajudar.

O infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) Julio Croda explica que as pessoas devem sair de casa apenas quando necessário, a dica agora é evitar saídas que poderiam ser evitadas. Ele ressalta que na Inglaterra a recomendação é de não se reunir com pessoas que vivem em casas diferentes, o que serve como uma sugestão também para Mato Grosso do Sul.

Ou seja, a hora é de ficar em casa para evitar o colapso da saúde. Mesmo as visitas de familiares e almoços em família podem ser evitados, um esforço para frear a pandemia de coronavírus em MS. 

A infectologista e integrante do COE (Comitê de Operações de Emergência) da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Mariana Croda também ressalta que todas as medidas de prevenção devem ser intensificadas neste momento. Ela afirma que a nova variante do coronavírus, a P1, infecta muito mais do que a anterior. “Isso faz com que peguemos a doença muito mais fácil. Nesse ponto, recomendo o uso contínuo de boas máscaras que cubram bem nariz e boca, isso é essencial”, orienta.

Mariana Croda ressalta que a medida mais eficaz para evitar a infecção neste momento do pico da pandemia é evitar o contato próximo com outras pessoas. A médica orienta que, caso precise sair e frequentar o transporte coletivo, opte por horários de menor ocupação se possível e no ambiente de trabalho mantenha distanciamento e use a máscara em tempo integral. “E se puder, evite sair ao máximo. Grupos de risco devem estar isolados e com mínimo de circulação”, conclui. 

Preciso trabalhar, e agora? 

O discurso do ‘fique em casa’ muitas vezes pode soar elitista, afinal, quem trabalha faz o quê? Para os trabalhadores que precisam bater ponto todos os dias, é possível se prevenir e evitar a infecção pelo coronavírus. A recomendação não mudou, é preciso seguir à risca a recomendação dos profissionais da saúde: usar a máscara corretamente, fazer a higiene das mãos e manter a distância sempre que possível. 

Para quem utiliza o transporte coletivo, uma dica é utilizar máscaras do tipo PFF2, se possível. “Quanto maior a qualidade da máscara, melhor. A PFF2 seria ideal, é de melhor qualidade. Se não for possível, existe uma tendência de usar duas máscaras, uma cirúrgica na primeira camada e na segunda uma máscara de pano. Assim, permite fechar melhor, fazer a vedação boca e nariz”, orienta Julio Croda. 

O infectologista da Fiocruz diz que o uso da máscara de pano ou cirúrgica é importante, mesmo que sozinhas, já que o fator crucial é utilizá-las corretamente. “Mais importante do que o material é a utilização correta das máscaras. No comércio, quando passo pelo centro, vejo muitas pessoas só cobrindo a boca ou com a máscara no queixo. O próprio servidor do estabelecimento só utiliza a máscara corretamente quando tem fiscalização”, frisa.

Além de ficar em casa, como se proteger da nova variante? 

O médico infectologista Hilton Alves Filho explica que “o grande problemas são os velhos hábitos”. Ele comenta que as pessoas abandonam muito facilmente o uso das máscaras, negligenciam a higienização das mãos e o uso do álcool em gel.

O médico lamenta que “ainda exista uma negação das pessoas de não seguir as recomendações. Sempre estão encontrando pessoas, viajando para casa de familiares, inclusive pessoas do grupo de risco”.

Independente das variantes que estejam circulando, as pessoas devem manter todas as recomendações de biossegurança. “Só com uma vacinação de grande parte da população é que a gente vai poder voltar para nossa vida normal”, diz o infectologista.

O infectologista Rodrigo Nascimento defende que diante da sobrecarga no sistema de saúde, medidas restritivas são importantes, mas a disciplina individual não deve ser esquecida. “Evitar contato interpessoal e aglomerações. A gente pode estar vivenciando a transmissão de uma nova variante, a responsabilidade individual conta muito neste momento”.

Recorde de internações

Mato Grosso do Sul bateu mais um triste recorde na pandemia de coronavírus nesta quinta-feira (11) e chegou à marca de 780 pacientes internados. O recorde até então era de 754, que havia sido registrado no boletim de quarta (10). O ritmo de internações tem seguido assim, com um dia superando o outro e já é a quinta vez que MS bate recordes em ocupação de leitos em menos de uma semana. Só para se ter uma ideia, a quantidade de pacientes internados em MS seria o suficiente para lotar 10 ônibus. 

A situação é tão crítica que o hospital referência no tratamento da Covid-19, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), atende acima da capacidade. Conforme dados do boletim do Hospital Regional, todos os leitos para covid-19 estão ocupados. A taxa de ocupação global dos leitos no HRMS é de 106%.

Jornal Midiamax