Sem água e comida, pacientes precisam ser transferidos do Hospital da Vida

Defensoria Pública do Estado visitou o local e verificou situação de emergência com diversas irregularidades

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul conseguiu, nesta sexta-feira (16), transferir oito dos 17 pacientes internados no setor de nefrologia, do Hospital da Vida, em Dourados, após verificar falta de atendimento básico como alimentação e água por mais de 24 horas.

Em nota, a defensoria diz que esteve no local com a defensora pública Mariza Fátima Gonçalves, representantes do Ministério Público Estadual, Defensoria Pública da União, OAB/MS e vereadores do município no dia 8 deste mês e constatou estado caótico causada por uma dívida milionária da unidade de saúde, o que acarretou no não pagamento de fornecedores.

Ainda segundo a nota, Serviços essenciais, como exames em área verde, amarela e vermelha, estão sendo suspensos. Também faltam médicos, insumos básicos e ainda existem atrasos de pagamento e escalonamento de salário de profissionais, o que provoca péssimas condições do serviço oferecido à população.

“A Defensoria Pública trabalha diuturnamente para garantir os direitos individuais e coletivos desses assistidos. Além das transferências, realizamos outros sete atendimentos de pacientes que estavam em situações precárias ou mal assistidos no hospital. Eles receberam orientações jurídicas e foram aconselhados a irem até a sede da Defensoria para outras providências”, revelou a defensora Mariza, que atua em auxílio à coordenadora da 4ª Regional de Dourados, defensora pública Inês Batisti Dantas Vieira.

Durante a visita foi registrado a entrada de um paciente com fratura na coluna e trauma no abdômen às 17h30, mas que até ás 21h ainda não havia recebido medicamentos ou tratamento.

Nesta semana a defensora se reuniu com integrantes do Judiciário, OAB, vereadores e representantes da Secretaria de Saúde do Estado e de Dourados, na OAB/MS, 4ª Subseção Dourados/Itaporã para saber as medidas que estavam sendo tomadas para amenizar a situação caótica da Saúde Pública de Dourados, especificamente no Hospital da Vida, após as denúncias de várias irregularidades e intervenção do Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados).

Como resposta, a defensoria diz que recebe a informação que serão averiguadas a revisão das pactuações entre Hospital da Vida, Hospital Universitário, Hospital Evangélico e Hospital Cassems. Também foi dado o prazo de até o fim deste mês para que a situação seja resolvida antes que medidas judiciais sejam tomadas, como por exemplo, a intervenção do Estado no município. Foi pedido, ainda, mais clareza e rapidez na prestação de contas, por meio do portal da transferência.

Também na segunda-feira (16), durante a sessão na Câmara, uma vereadora de Dourados pediu abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) nos contratos da Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud) por constatar que há sérios problemas encontrados na saúde do município como a falta de médicos, medicamentos e exames.

O Midiamax encaminhou um questionamento para a assessoria de comunicação da prefeitura e tentou por algumas vezes o contato com a secretaria de saúde, mas até o fechamento da matéria não obteve resposta.

Mais notícias