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Após CPI sobre sumiço de vacinas da gripe, Sesau promete registro rigoroso

Audiência teve 'farpas' entre vereador e deputado

Wendy Tonhati Publicado em 03/03/2017, às 14h41 - Atualizado em 23/07/2020, às 19h42

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Audiência teve 'farpas' entre vereador e deputado

Em 2016, além da causar pânico na população, com mais de 100 mortes em Mato Grosso do Sul, a gripe esteve no centro de um dos escândalos políticos de Campo Grande: o suposto sumiço de mais de 30 mil doses e a vacinação de quem não estava no grupo alvo, mas era relacionado à administração municipal. Para evitar que os problemas voltem a ocorrer, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) promete controle rigoroso e o fim da vacinação volante que era feita em locais como shoppings e mercados. 

O assunto foi tema de audiência pública na Câmara Municipal, nesta sexta-feira (3). De acordo com a secretária adjunta da Sesau, Andressa De Lucca, com o fim o fim da vacinação volante, é esperada vagarosidade nos postos de saúde. A secretária ainda garantiu que as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) terão capacidade para atender a população que apresente sintomas da doença. 

“As unidades estarão de portas abertas. Temos capacidade de atendimento”. De Lucca ainda revelou que profissionais de saúde em lista de espera de concurso público poderão ser chamados para ajudar a atender à demanda. Serão 64 salas de vacinação e um trailer utilizado apenas no 'Dia D de Vacinação'. 

Sobre os registros das vacinas, a secretária-adjunta e a coordenadora de vigilância epidemiológica do Município, Mariah Barros explicaram que a vacinação vai constar no prontuário eletrônico dos pacientes, deste modo, será possível saber exatamente quantas doses foram recebidas e aplicadas na população.  

Embora tenha sido tema de audiência pública e já tenha data para começar, definida pelo Ministério da Saúde [10 de abril], nem Campo Grande e nem o governo do Estado sabem quantas doses serão destinadas à população, pois o Governo Federal ainda não repassou as informações locais. Parte da audiência pública foi marcada por 'farpas' entre os deputado estadual e ex-vereador Paulo Siufi e o vereador Hederson Fritz (PSD), que presidia a audiência e os demais vereadores da comissão de saúde, Dr. Loester (PMDB), Dr. Antônio Cruz (PSDB) e Enfermeira Cida Amaral (PTN).

Siufi, enquanto vereador, foi autor de leis que expandiram o público-alvo da vacinação e defende a imunização de profissionais que lidam com grande número de pessoas como moto-taxistas, e profissionais do Mercadão e Ceasa. Porém, a vacinação segue os públicos definidos pelo Ministério da Saúde, com a inclusão, neste ano, dos professores. No ano passado, os educadores tiveram que entrar na justiça para serem vacinados. “Esses profissionais têm muito mais necessidades do que outras pessoas. Todos os anos sobram vacinas, por que não fazer nos grupos mais suscetíveis?”, questionou o deputado.

Rebatendo Siufi, que disse não entender o motivo da audiência, o vereador Fritz disse que o objetivo da audiência era dar à sociedade conhecimento da metodologia utilizada pela Sesau na imunização da população. "A metodologia é padronizada pelo Ministério da Saúde e houve mudanças nas estratégia desse ano. Haverá documento registrado para ter mais transparência com relação às doses”. 

Sobre a possibilidade de comprar mais doses de vacina para aumentar a cobertura em outras camadas da população, a secretária adjunta disse que seria necessáriao despender recursos próprios da Prefeitura e que, no momento, não há como fazer sem previsão orçamentária. Ela apresentou déficit de R$ 2 milhões nas contas da Sesau.

“São recebidos R$ 35 milhões de tesouro e R$ 31 milhões são da folha de pagamento e mais R$ 6 mil de fornecedores”. Outra problema apresentado seria de onde adquirir as doses extras, se o fornecedor nacional teria capacidade para atender. 

Público-alvo: o público-alvo da Campanha é composto pelos segmentos da população considerados de risco para complicações por gripe: pessoas a partir de 60 anos, crianças de seis meses a menores de cinco anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias), trabalhadores de saúde, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas – e os funcionários do sistema prisional. As pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis, que inclui pessoas com deficiências específicas, também devem se vacinar.

Jornal Midiamax