Áudios vazam e reajuste salarial para políticos em plena pandemia vira caso de Polícia

Presidente da Câmara de Jardim disse que suas falas foram retiradas de contexto e reproduzidas em redes sociais

O presidente da Câmara de Jardim, vereador Fernandinho Ramos (PSDB), procurou a Polícia após ter áudios de grupo de whattsapp reproduzidos nas redes sociais o acusando de ter urgência para aumentar o próprio salário, o do prefeito e secretários. A polêmica teve início com o envio à Câmara, pelo prefeito Guilherme Monteiro (PSDB), de projeto de lei prevendo reajuste de 5% salário do gestor, de seu vice e dos secretários municipais. A proposta, em nenhum momento, incluiu os salários de vereadores.

Notícia de fato foi registrada na delegacia e o vereador disse ter passado a manhã desta quinta-feira (26) em conversa com o delegado da cidade explicando o caso para que seja apurado.

A confusão teve início porque, após ser protocolado, o projeto de reajuste recebeu requerimento de urgência assinado pelo presidente da Casa. A situação motivou críticas na cidade, após divulgação de áudio do vereador defendendo a tramitação rápida. “O requerimento foi porque no período eleitoral as leis que dependem de orçamento precisam ser finalizadas até 4 abril. Como o projeto foi colocado em 16 de março, não teria tempo para cumprir o rito legal”, explicou Fernandinho.

De acordo com ele, o pedido de urgência nem chegou a ser oficialmente protocolado, porque na sequência da sugestão, o jurídico informou que o impasse poderia ser resolvido com a realização de sessões extraordinárias. Em sessão remota no dia 24, o presidente disse ter apresentado emenda para a exclusão do prefeito, secretários e comissionados, mantendo somente os servidores como beneficiários do reajuste de 5%. O documento proposto por ele pode ser conferido clicando aqui.

Vazamento

Mesmo assim, Fernandinho conta que apenas parte de seus áudios começou a circular no município, com informações de que ele estaria tentando aumentar o próprio salário e o do prefeito. “Espalhou na cidade e virou uma bagunça”, contou, sobre a situação. Como os áudios tinham sido enviados em grupo de 11 vereadores, o presidente decidiu procurar a Polícia e registrou notícia de fato, pedindo apuração sobre calúnia. No pedido, foram arrolados todos os vereadores que participam do grupo. “Era um grupo restrito e vazou”, reclamou ele. 

A queixa é motivada também pelas informações que circularam não conterem toda a história, incluindo a emenda apresentada por ele para exclusão de políticos e comissionados. No município, o projeto de reajuste em meio à pandemia do novo coronavírus COVID-19 gerou críticas, principalmente da oposição. Agora, o projeto de aumento com a emenda que mantém apenas efetivos ainda deve passar pelo crivo da Câmara.

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