Política / Transparência

Ministra do STF poupou gabinete de Trutis em Brasília de buscas pela PF

Rosa Weber negou pedido da Polícia Federal para realizar diligências no gabinete de Loester Trutis (PSL-MS) na Câmara dos Deputados.

Jones Mário Publicado em 13/11/2020, às 15h41 - Atualizado em 14/11/2020, às 08h32

Deputado Federal Loester Trutis aponta o Congresso Nacional ao fundo (Foto: Reprodução)
Deputado Federal Loester Trutis aponta o Congresso Nacional ao fundo (Foto: Reprodução) - Deputado Federal Loester Trutis aponta o Congresso Nacional ao fundo (Foto: Reprodução)

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber poupou o deputado federal Loester Trutis (PSL-MS) de mais situações constrangedoras, como já foi sua prisão, ontem (13), por porte de arma de uso restrito. Apesar de autorizar medidas de busca e apreensão em diversos endereços ligados ao parlamentar, seu gabinete na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), foi poupado.

A magistrada atendeu parecer da Procuradoria-Geral da República, que rotulou a diligência em pleno Congresso Nacional como “demasiadamente invasiva e com baixa probabilidade de êxito”.

Assim, restou à Polícia Federal bater à porta do apartamento funcional de Trutis, localizado na Asa Sul da Capital Federal. Em Campo Grande, os alvos da chamada Operação Tracker foram três imóveis do deputado, no Jardim São Bento, Vilas Boas e Vila Carlota.

Durante as buscas, os policiais apreenderam um fuzil Taurus, T4, calibre 5.56, classificado como de uso restrito. Além disso, os agentes também encontraram uma pistola Taurus, calibre 9mm, e um revólver Taurus, calibre .357.

O deputado federal já tinha vaga garantida no Presídio Militar quando acabou soltou, ainda ontem. A decisão foi endossada pelo subprocurador-geral da República Humberto Jacques de Medeiros, que pediu reconhecimento da liberdade provisória sem fiança.

Movimento Conservador

A decisão monocrática de Rosa Weber que autorizou, parcialmente, o cumprimento de mandados contra Loester Trutis também poupou a sede do Movimento Conservador de Mato Grosso do Sul, no Jardim Monte Líbano, região nobre de Campo Grande. Desta vez, a Procuradoria-Geral da República não viu “relação direta da entidade com os fatos sob apuração”. A ministra, então, assentiu.

O Movimento Conservador se define nas redes sociais como defensor de princípios e valores cristãos e da família, bem como do direito à legítima defesa. Portanto, não são poucas as postagens do grupo em apoio à pauta armamentista encampada pelo deputado federal.

Operação Tracker

As investigações da Polícia Federal acerca do suposto atentado sofrido por Trutis em fevereiro deste ano se voltaram contra o próprio parlamentar a partir de trabalhos periciais. Laudos balísticos, de exame de local e informações de georreferenciamento entraram em rota de colisão com o que alegava o deputado e seu assessor, Ciro Fidelis – hoje candidato a vereador pelo PSL em Campo Grande.

Assim, a PF concluiu que o suposto atentado foi simulado por Trutis, de olho em dividendos políticos e eleitorais. O parlamentar é um entusiasta voraz da flexibilização do Estatuto do Desarmamento.

Para a ministra Rosa Weber, que autorizou a abertura de inquérito pela Procuradoria-Geral da República, as provas obtidas até agora podem implicar Loester Trutis nos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disparo de arma de fogo, dano e comunicação falsa de crime.

Além do deputado federal, foram alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos ontem seu irmão, Alberto Carlos Gomes de Souza; seu assessor parlamentar, Ciro Nogueira Fidelis; bem como Jovani Batista da Silva.

Jornal Midiamax