Com indícios de desvio, MPF é contra pedido de alvo na Offset para reaver dinheiro apreendido

Esposa de ex-secretário municipal de Segurança de Corumbá, implicado no esquema de recebimento de propina, pediu à Justiça devolução de R$ 10 mil

O MPF (Ministério Público Federal) se manifestou contrário a pedido de alvo na Operação Offset, da Polícia Federal, para reaver dinheiro apreendido durante cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Em peça apresentada à 1ª Vara da de Corumbá, a procuradora da República Sarah Teresa Cavalcanti de Britto apontou serem “sólidos” os indícios de que o ex-secretário municipal de de Corumbá, Edson Panes de Oliveira Filho, integra organização criminosa para receber propina a partir de contratos para prestação de serviços públicos.

A esposa de Edson, Alessandra Chinelli Panes de Oliveira, apresentou pedido de restituição de coisa apreendida à . Ela requisitou a liberação de R$ 10 mil e mais 2,4 mil bolivianos (moeda corrente na Bolívia). 

Segundo Alessandra, todo o dinheiro seria de fruto de empréstimo contraído por ela, em setembro deste ano, para pagar matrícula em uma universidade boliviana.

O MPF, porém, rebateu a alegação. Conforme a procuradora Sarah Teresa de Britto, documento apresentado pela defesa de Alessandra mostra que o empréstimo foi contratado em 9 de outubro, ou seja, três dias depois da deflagração da Offset e do cumprimento dos mandados.

“Não se pode descartar a hipótese de que tais valores sejam referentes a algum ato ilícito, o que acarretaria, ao fim da ação penal, no perdimento da quantia apreendida”, escreveu a procuradora da República.

A Polícia Federal apreendeu R$ 59 mil em espécie durante as diligências em Corumbá e Campo Grande.

‘Carteirada’

Segundo as investigações da Polícia Federal, Edson Panes de Oliveira Filho acompanhava Márcio Iunes, irmão do prefeito e candidato à reeleição em Corumbá (PSDB), durante as viagens a Campo Grande para coletar propina paga pela gráfica Solux. A empresa tem R$ 7,5 milhões em contratos com o município para limpeza e obras públicas. Pelo menos R$ 2,2 milhões em despesas foram pagas com recursos da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais). 

Edson seria uma espécie de “batedor”, que supostamente tentava facilitar a passagem por eventuais barreiras policiais na base da “carteirada”. O ex-secretário de Segurança é advogado. Hoje, é assessor especial no gabinete de , com salário bruto de R$ 12.720,00, segundo portal da Transparência de Corumbá.

Trecho dos documentos de investigação narra que, em maio de 2020, Márcio e Edson chegaram a ser parados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) a pedido da PF, a caminho de Corumbá, após retornarem de Campo Grande. Na ocasião, Edson logo apresentou a carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), enquanto Márcio “demonstrou nervosismo”.

O relatório concluiu que a participação de Edson tem indício de que ele se valeria da função de secretário municipal para evitar revistas quando do retorno à Corumbá, com a propina paga devidamente recolhida, com direito a carteiradas.

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