Com risco de fuga e influência no tráfico, PM réu da Laços de Família deve ficar em Mossoró

Decisão da Justiça Federal de MS mantém subtenente da PM no Rio Grande do Norte

O subtenente da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) Silvio César Molina e os irmãos Douglas Alves Rocha e Jefferson Alves Rocha, réus da Operação Laços de Família, deverão permanecer por até mais 360 dias no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A decisão é da 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, em despacho publicado no diário do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que alegou risco de fuga e possível influência do grupo no tráfico de drogas no Estado.

Com permanência provisória e prazo vencendo no próximo dia 10 para ficarem no local, a Justiça autorizou a permanência dos três no presídio após a defesa pedir para que eles retornassem ao Estado por ficarem isolados em local distante da família.

Apontados como integrantes de organização criminosa em âmbito nacional, com interações internacionais e de alta periculosidade, a Justiça também argumentou que houve plano de resgate quando os três estavam em Naviraí. A defesa argumentou que seria mais fácil realizar audiências com os réus em MS, mas a Justiça alegou que nos presídios onde eles ficariam, por questões de segurança, apenas são permitidas a realização de atos de audiência por meio de videoconferência.

Laços de Família

A operação deflagrada pela Polícia Federal ‘Laços de Família’, em Mato Grosso do Sul e em mais quatro estados em junho de 2018 prendeu o policial militar apontado como chefe da quadrilha, que atuava na região do cone-sul do Estado. Molina seria dono de uma Ferrari, que custa mais de R$ 500 mil. Ele trabalhava em Eldorado e atuava junto à família em Mundo Novo.

Quinze integrantes da quadrilha foram presos durante a deflagração da operação no Estado. A sede ficava em Mundo Novo, onde foram presas 13 pessoas. As outras duas prisões aconteceram em Naviraí e em Eldorado. Uma mulher, que usava tornozeleira eletrônica, ajudava no financiamento e lavagem de dinheiro da organização que atuava de forma semelhante à máfia: os chefes da organização eram da mesma família e tinham estreita ligação com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital).

Para impor medo e respeito aos adversários, o grupo praticava torturas em crimes violentos. A quadrilha era tão organizada que usava ao menos 10 empresas de fachada para lavar o dinheiro do narcotráfico.

A PF estima que, antes da operação, já tinha provocado um prejuízo de R$ 61 milhões à família com apreensões de drogas, joias, dinheiro e bens móveis e imóveis. Foram apreendidos R$ 310 mil para pagamentos de drogas, R$ 80 mil em joias, cinco embarcações, sendo quatro iates.

Desde 2016, quando as investigações começaram, foram apreendidas 27 toneladas de maconha, duas pistolas e duas camionetes.

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