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‘Máfia dos Cigarreiros’: Justiça ouve testemunhas de acusação de PM preso na Oiketikus

Mesmo preso, PM recebeu R$ 124,861,76 do Governo do Estado

Testemunhas de acusação do tenente-coronel, Admilson Cristaldo Barbosa, preso desde maio, suspeito de integrar organização criminosa formada por policiais militares que dava suporte a entrada de cigarro contrabandeado, em Mato Grosso do Sul, serão ouvidas na próxima quinta-feira (31).

A audiência acontece a partir das 13h45. Cristaldo Barbosa foi condenado pela Auditoria Militar a três anos de prisão em regime aberto por obstrução de Justiça, em setembro passado, em ação decorrente da Operação Oiketikus, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao crime Organizado), em maio passado.

No mesmo julgamento, o tenente-coronel foi absolvido do crime de recusa de ordem judicial, previsto no código penal militar, já a condenação por obstrução de Justiça, dada pelo Juiz de direito Alexandro Antunes e outros quatro juízes militares, foi unânime.

Admilson está preso desde o dia 16 de maio no Presídio Militar em Campo Grande e responde a pelo menos duas ações penais militares, de corrente da Operação Oiketikus, que apura se grupo de policiais militares, maioria da lotados na fronteira, daria suporte ao contrabando de cigarros, a chamada ‘Máfia dos Cigarreiros’.

Quando a Oiketikus foi deflagrada, o tenente-coronel comandava o 11° Batalhão de Jardim, com remuneração bruta fixa de R$ 22,8 mil. Mesmo preso há oito meses – e obviamente impedido de cumprir expediente – o servidor público recebe seu salário normalmente. De maio até agora, o PM recebeu, com as deduções obrigatórias, R$ 124,861,76.

Conforme investigação do Gaeco, os militares recebiam dinheiro em troca de facilitação, inclusive ao prestarem informações aos contrabandistas. Em algumas situações, as fiscalizações sequer eram feitas e as cargas de cigarro contrabandeado “passavam batido”.

Corrupção Passiva

Em dezembro passado, Cristaldo e os colegas de farda, tenente-coronel Luciano Espíndola da Silva e o major Oscar Leite Ribeiro, foram condenados pelo juiz Alexandre Antunes e quatro juízes militares.

O tenente-coronel foi condenado a 7 anos, 1 mês e 10 dias de prisão em regime fechado pelo crime de corrupção passiva, mas acabou absolvido pelos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, e organização criminosa. Mesmo durante a apelação, Cristal segue preso no Presídio Militar de Campo Grande.

Oiketikus

Deflagrada em maio, a Oiketikus cumpriu, em sua primeira fase 20 mandados de prisão preventiva contra policiais militares de 16 municípios, considerados estratégicos na rota do contrabando, e 45 mandados de busca e apreensão.

Foram presos durante a operação Admilson Cristaldo Barbosa, Luciano Espíndola da Silva, Ricardo Campos Figueiredo, Anderson Gonçalves de Souza, Angelucio Recaldi Paniagua, Aparecido Cristiano Fialho, Claudomiro de Goez Souza, Clayton de Azevedo, Elvio Barbosa Romeiro, Ivan da Silva, Van Edemilson Cabanhe, Jhondenei Aguilera, Lisberto Sevastião de Lima, Marcelo de Souza Lopes, Nazario da Silva, Nestor Bogado Filho, Nilson Procedônio Espíndola, Roni Lima Rios e Valdson Gomes de Pinho.

A ofensiva agiu nos municípios de Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão (distrito), Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá.

O grupo, segundo a investigação, recebia valores mensais entre R$ 2 mil e R$ 100 mil, dependendo da patente. Servidor do TCE (Tribunal de Contas do estado), onde Cristaldo chegou a ser lotado, foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da operação. A terceira delas prendeu outros oito policiais e a quarta, um tenente-coronel e um sargento.

 

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