Julgamento é adiado, mas dois aceitam recurso contra Rodrigo Silva por roubo de propina

Juiz pediu vistas e faltam os votos de outros dois desembargadores

Após a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, rejeitar a denúncia criminal de roubo majorado contra Rodrigo de Souza e Silva, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), dois desembargadores do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) acataram o recurso do MPMS (Ministério Público Estadual) nesta terça-feira (10).

Rodrigo é acusado pelos três promotores do Patrimônio Público de Campo Grande, Adriano Lobo Viana de Resende, Marcos Alex Vera de Oliveira e Humberto Lapa Ferri por ser o mandante de um roubo de propina que deu errado e por ter supostamente encomendado uma execução.

O recurso do Ministério começou a ser votado nesta terça, durante a sessão da 2ª Câmara Criminal. Já votaram a favor o relator do caso, desembargador José Ale Ahmad Netto e o desembargador Jonas Hass Silva Júnior. Em substituição, o juiz Waldir Marques pediu vistas do caso para poder votar.

Até a conclusão, os desembargadores ainda podem mudar os votos. Apesar do caso tramitar em sigilo, após o decorrer do processo, os autos serão abertos e será de conhecimento público como cada um deles votou e como foi apresentada a acusação dos promotores, que apontaria documentos e depoimentos que ligariam Rodrigo Silva ao caso.

Dados na decisão de Felix Fisher

Filho do governador Reinaldo Azambuja, Rodrigo ficou preso por cinco dias após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) deflagrar a Operação Vostok. Na época, o aposentado Luiz Carlos Vareiro, 61 anos, afirmou que teria sido contratado por Rodrigo para roubar e executar o corretor de gado José Ricardo Gutti Gumari, o ‘Polaco’.

A revelação constou na decisão do ministro Felix Fisher. Segundo a decisão, “no bojo das investigações, verificou-se a possível arregimentação de eventual eliminação/morte de um dos atores da organização criminosa, o investigado José Ricardo Gutti Gumari, conhecido como “Polaco”, em decorrência da sua ausência de fidelidade a organização”.

Conforme o documento, Polaco estaria chantageando os envolvidos no esquema, sob ameaça de que faria uma delação premiada. Consta ainda que o Preso por suposto roubo de veículo na BR-262, Vareiro denunciou o plano, supostamente encabeçado pelo filho do governador.

Na época, o lavador de carros denunciou que roubou “propina” de R$ 270 mil paga por integrantes da administração estadual a Polaco. Articulador do roubo, Vareiro exigiu a presença do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para revelar como orquestrou o crime.

De acordo com denunciante, o filho de Reinaldo Azambuja teria lhe procurado para encomendar o roubo da propina destinada a Polaco, além da morte do corretor.

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