Após propor CPI dos Ônibus, vereador vira alvo de ‘protesto’ que teria até assessor de colega

Uma carta com 10 assinaturas foi entregue aos vereadores criticando a atuação do parlamentar, supostamente por fazer um vídeo sobre a Vila Nasser.

O vereador Vinícius Siqueira (DEM) virou alvo de ‘protesto’ na Câmara Municipal de Campo Grande na sessão desta terça-feira (2). Quatro pessoas seguravam duas faixas cobrando proposições do parlamentar e alguns dos manifestantes seriam inclusive ligados a outros vereadores.

O ato foi organizado logo depois que Vinícius propôs a criação da CPI dos Ônibus, para investigar suspeitas sobre o contrato do Consórcio Guaicurus. Nesta segunda-feira (1), até o prefeito Marquinos Trad (PSD) reclamou, dizendo que hoje basta o político aparecer ‘bonitinho na televisão, com discurso pronto, que vira herói’.

Uma carta com 10 assinaturas foi entregue aos vereadores criticando a atuação do parlamentar, supostamente por fazer um vídeo sobre a Vila Nasser e por ter poucas proposições a respeito dos problemas apontados. Um dos ‘manifestantes’, inclusive, que assinou a carta, seria assessor parlamentar ligado a outro vereador, contrário à criação da CPI dos Ônibus e investigação do Consórcio Guaicurus.

Edinaldo Nogueira, presidente do Bairro Cophasul, justificou dizendo que a fala do vereador em relação a problema na Vila Nasser deu a impressão que os presidentes de bairro não estavam atuando. Os colegas de Siqueira, que ainda não assinaram a criação da CPI, aproveitaram para alfinetar o vereador. João César Matogrosso (PSDB) criticou a atuação de vereadores de Facebook que não fazem indicações, não vão aos bairros, só ficam na rede social.

Já Valdir Gomes entrou na onda dos quatro manifestantes e criticou a postagem de Siqueira segundo a qual escola de samba na região seria ponto de drogas e disse que como representante da cultura não poderia tolerar isso.

Tentativa de intimidação

Sobre a cena, Siqueira acredita que o ‘protesto’ seja uma tentativa de intimidação por sua atuação em relação à proposta de CPI dos Ônibus. “Esses protestos só apareceram depois que a gente começou a mexer com o contrato, então eu acredito que possa ser uma retaliação”, explicou.

“O mais engraçado era o que estava escrito na faixa”, comentou. O motivo da reclamação seria vídeo feito por ele sobre creche na região da Vila Marli que foi ocupado por escola de samba. Como o local tem funcionado somente no Carnaval e ficado vazio o ano todo, foi alvo de críticas da própria população.

“Não são palavras minhas, foram moradores da Vila Nasser”, frisou, ao lembrar que em duas horas de postagem 230 moradores endossaram a crítica e relataram os problemas na região da Vila Nasser.

Diante da situação, que o vereador avalia como retaliação, Siqueira voltou a defender a instauração da CPI dos Ônibus. Segundo ele, os vereadores precisam saber quais valores o Consórcio embolsou nos cofres e não gastou pela ‘quilometragem morta’,  que é o percurso que os veículos do transporte coletivo fazem vazios das garagens aos terminais e que é pago pela Prefeitura, e que com a investigação será possível apurar.

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