Acórdão do TJMS aponta ‘provas suficientes’ para tornar filho de Reinaldo réu por roubo

Para desembargadores, há provas da materialidade e autoria do crime

O acórdão da decisão da 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) publicado nesta quarta-feira (25) aponta que os desembargadores verificaram provas suficientes para tornar o filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Rodrigo Souza e Silva, réu por roubo majorado. A decisão foi publicada no Diário Oficial da Justiça.

No último dia 17, a Câmara aceitou por unanimidade o recurso do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) contra a decisão que rejeitou denúncia criminal de roubo majorado contra o empresário e advogado.

Segundo o acórdão, ‘havendo provas suficientes da materialidade e autoria do fato delituoso, a reforma a decisão que rejeitou a denúncia é medida que se impõe’.

Na justificativa para não receber a denúncia, a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, alegou ‘ausência de indícios da participação do denunciado no crime descrito’ e ‘suporte probatório mínimo da autoria e materialidade’, exatamente o oposto do entendimento dos três julgadores do TJMS.

Após julgamento favorável ao recurso, o processo deve retornar à juíza May Melke Siravegna. Rodrigo é acusado pelos três promotores do Patrimônio Público de Campo Grande, Adriano Lobo Viana de Resende, Marcos Alex Vera de Oliveira e Humberto Lapa Ferri por ser o mandante de um roubo de propina que deu errado e por ter supostamente encomendado uma execução.

Revelação constou em decisão do STJ

Filho do governador Reinaldo Azambuja, Rodrigo ficou preso por cinco dias após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) deflagrar a Operação Vostok. Na época, o aposentado Luiz Carlos Vareiro, 61 anos, afirmou que teria sido contratado por Rodrigo para roubar e executar o corretor de gado José Ricardo Gutti Gumari, o ‘Polaco’.

A revelação constou na decisão do ministro Felix Fisher. Segundo a decisão, “no bojo das investigações, verificou-se a possível arregimentação de eventual eliminação/morte de um dos atores da organização criminosa, o investigado José Ricardo Gutti Gumari, conhecido como “Polaco”, em decorrência da sua ausência de fidelidade a organização”.

Conforme o documento, Polaco estaria chantageando os envolvidos no esquema, sob ameaça de que faria uma delação premiada. Consta ainda que o Preso por suposto roubo de veículo na BR-262, Vareiro denunciou o plano, supostamente encabeçado pelo filho do governador.

Na época, o lavador de carros denunciou que roubou “propina” de R$ 270 mil paga por integrantes da administração estadual a Polaco. Articulador do roubo, Vareiro exigiu a presença do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para revelar como orquestrou o crime.

De acordo com denunciante, o filho de Reinaldo Azambuja teria lhe procurado para encomendar o roubo da propina destinada a Polaco, além da morte do corretor.

Acórdão do TJMS aponta 'provas suficientes' para tornar filho de Reinaldo réu por roubo