Servidor da Agesul preso na Operação Lama Asfáltica recebe promoção funcional por antiguidade

Ex-deputado atuava como fiscal de obras públicas

Beto Mariano foi preso no âmbito da Lama Asfáltica (Foto: Arquivo/Midiamax)

No Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (17), o governo estadual divulgou uma série de promoções funcionais a servidores estaduais, entre eles 10 fiscais de obras públicas lotados na Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), sendo um que está preso.

Entre os promovidos está Wilson Roberto Mariano de Oliveira, preso desde o último dia 9 de março, em decorrência das investigações da Operação Lama Asfáltica. O servidor ganhou promoção funcional por antiguidade, saltou da classe G para H.

Ele é acusado de confeccionar pareceres favoráveis relativos a medições de obras e  serviços que sequer chegaram a ser executados, tudo em troca de propina. Beto Mariano foi preso pela 1ª vez em 2016, na deflagração da Operação Fazendas de Lama.

À época o servidor foi detido acusado de integrar quadrilha que desviou recursos públicos e adquiriu fazendas para lavar dinheiro.

Oliveira teve os bens bloqueados como resultado de uma ação movida pelo MP-MS (Ministério Público Estadual) que apontou suposto enriquecimento ilícito, com considerável evolução patrimonial incompatível e possivelmente atrelada ao conteúdo apurado pela Operação Lama Asfáltica.

“Com a investigação, apurou-se que os valores repassados a título de propina eram mascarados com diversos tipos de operações simuladas, de forma a dar falsa impressão de licitude ao aumento patrimonial dos integrantes do grupo ou de dar maior sustentação financeira aos seus projetos”, diz trecho da ação.

Para o MP-MS, o servidor, a Mariane Mariano, em prisão domiciliar também desde o dia 9 de março, sua esposa Maria Helena Miranda de Oliveira e o genro João Pedro Figueiró Dornellas criaram mecanismo para esconder parte do patrimônio e movimentar as importâncias em dinheiro que não teria como justificar pelos seus rendimentos legais.

Auditoria feita pelo Núcleo de Pesquisa da Receita Federal concluiu que entre 2008 e 2014 Beto e a esposa apresentaram fluxo de caixa deficitário, “o que evidencia possível omissão de rendimentos, cuja origem pode estar atrelada a ganhos advindos do esquema criminoso investigado na Operação Lama Asfáltica”.

Para se ter ideia, em 2013, segundo a denúncia, houve movimentação financeira com total de lançamentos a crédito de R$ 3,5 milhões equivalente a cerca de 17 vezes o total de rendimento declarados. Ainda na busca e apreensão foram encontrados na casa do servidor de obras mais de R$ 25 mil em espécie, U$ 10,3 mil dólares e E$ 2 mil euros. Valores não declarados ao fisco.

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