Política / Transparência

Novos vazamentos no MPE estimulam ‘teoria da conspiração’ em MS

Advogados reclamam da falta de controle e 'vazamento seletivo'

Midiamax Publicado em 08/12/2015, às 10h31

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Advogados reclamam da falta de controle e 'vazamento seletivo'

Novos vazamentos referentes ao trabalho do Ministério Público Estadual (MPE) que investiga servidores da gestão do governador André Puccinelli (PMDB) causam reação entre os advogados de investigados pela “Força-Tarefa”.

A Força-Tarefa do Ministério Público Estadual foi criada só depois que a Polícia Federal descobriu suposto desvio na gestão de André Puccinelli (PMDB). Com o escândalo o MPE foi obrigado a investigar pelo menos recursos do Estado e criou a Força-Tarefa.

O trabalho do MPE passou a ser feito sob sigilo, a ponto até de esconder os dias de depoimento dos envolvidos. Agora, começa a vazar parte de denúncia que teria sido feita pelo Ministério Público Estadual no trabalho da Força Tarefa e já surgem 'teorias da conspiração'.

A teoria parte da própria dúvida em relação a investigação, visto que o próprio MPE não tinha feito investigação até a Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União darem o primeiro passo. A demora do MPE levantou questionamentos, por exemplo, do deputado federal Zeca do PT, que alfinetou: “Até que enfim o MPE entrou na investigação”.

Outra teoria da conspiração parte da própria defesa dos envolvidos, que questiona os vazamentos, dizendo que nem advogados sabem do conteúdo da investigação. Já o MPE, via assessoria de imprensa, nega que promotores estejam vazando informações. Estes questionamentos, que no final são usados pela própria defesa, para tentar desqualificar o processo, faz alguns pensarem se não seria uma jogada neste intuito.

“O processo está em sigilo. Acredito que só pode ser o MPE. Ele é autor da ação penal. Só podem ter sido eles. Quem tem a informação? O segredo é absoluto, inclusive dos advogados. Não houve citação”, declarou o advogado de uma das partes, Valeriano Fontoura.

O fato é que a assessoria de imprensa do MPE alega que a investigação continua, mesmo circulando informações sobre possível denúncia apresentada pela instituição a Justiça. Recentemente, um caso de vazamento balançou outra investigação: a da Coffee Break.

O promotor Marcos Alex Vera encaminhou pedido de afastamento de 17 vereadores e prisão de Gilmar Olarte (PP) e João Amorim, mas a informação vazou um dia antes do próprio desembargador Luiz Claudio Bonassini receber o pedido. Na decisão o desembargador negou e questionou o vazamento da informação. O fato irritou o promotor Marcos Alex, que chegou a pedir para ser afastado dos trabalhos, mas teria sido convencido a ficar.

A Lama Asfáltica investiga contratos da gestão de André Puccinelli. Mais de 30 contratos teriam sido levados quando a operação foi deflagrada. A investigação começou em 2013, mas só neste ano ocorreram as apreensões.

A Força-Tarefa do MPE levou o juiz Carlos Alberto Garcete a decretar a prisão temporária, por cinco dias, de nove investigados na Operação Lama Asfáltica. Todos eram protagonistas da gestão do PMDB e ligados a secretaria de Obras do Estado.

Foram detidos o ex-deputado federal Edson Giroto (PR), João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Átila Garcia Gomes Tiago de Souza, , Elza Cristina Araújo dos Santos,  Maria Wilma Casanova Rosa, Maxwell Thomé Gomez, Rômulo Tadeu Menossi, Wilson Cabral Tavares e Wilson Roberto Mariano de Oliveira. Além do MPE, trabalham na investigação a Polícia Federal e CGU.

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