Política

Reinaldo adere a bloco de governadores que se opõe a Bolsonaro no combate à pandemia

Reinaldo Azambuja (PSDB) é um dos últimos a ingressar no bloco de governadores que faz um contraponto ao governo federal.

Jones Mário Publicado em 09/03/2021, às 14h27 - Atualizado em 10/03/2021, às 10h02

Governador Reinaldo Azambuja | Foto: Leonardo de França | Midiamax
Governador Reinaldo Azambuja | Foto: Leonardo de França | Midiamax - Governador Reinaldo Azambuja | Foto: Leonardo de França | Midiamax

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) anunciou hoje (9) que aderiu ao Pacto Nacional de Contenção da Covid-19, bloco que agora conta com 24 estados e o Distrito Federal. O movimento antagoniza com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas ações de enfrentamento à pandemia.

Azambuja protelou a decisão de se juntar à maioria das federações. Na semana passada, inclusive, havia se recusado a assinar carta-resposta de governadores a Bolsonaro, que, na ocasião, tratou repasses constitucionais aos estados como concessões ou favores de seu governo.

Com a mudança de postura, o tucano volta a se alinhar à conjuntura nacional de seu partido. Os governadores de São Paulo e Rio Grande do Sul, respectivamente João Dória e Eduardo Leite, integram o pacto e disputam internamente o posto de adversário de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Dória, inclusive, costuma ser mais incisivo nas críticas ao presidente e protagonizou com ele uma corrida pela vacinação contra a covid-19.

Além disso, Reinaldo se recoloca na oposição ao presidente da República ao aderir ao bloco. O chefe do Executivo de Mato Grosso do Sul chegou a ser o porta-voz dos governadores em reunião com Bolsonaro sobre o socorro aos estados – então travado –, no primeiro semestre do ano passado.

Tratado com medidas conjuntas deve sair até domingo

O Fórum Nacional dos Governadores planeja publicar um tratado até o dia 14 de março, com medidas conjuntas para frear contaminações e mortes pela covid-19. O grupo se apoia em decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que reconheceu a competência dos governos estaduais para iniciativas de enfrentamento à pandemia, como a compra de vacinas.

O movimento dos governadores é visto como um contraponto ao Palácio do Planalto. É sabido que o governo federal chegou a recusar ofertas de laboratórios produtores de imunizantes contra a covid-19, como da Pfizer. Além disso, Bolsonaro costuma minimizar os impactos da pandemia e já defendeu o uso de medicamentos inócuos para tratar pacientes da doença.

Secretário de Saúde nega conflito com Bolsonaro

O titular da SES (Secretaria de Estado de Saúde), o também tucano Geraldo Resende, nega viés político na frente de governadores e não acredita que a relação do governo de Mato Grosso do Sul com o federal sofrerá abalos.

“Não tem conflito com o governo federal, nenhum dos estados está procurando esse objetivo. O próprio Ministério da Saúde está sendo chamado, há a mediação do Senado, da Câmara dos Deputados. O viés é o de salvar vidas. É um pacto pela Saúde. O mais importante é fugir da politização”, declarou.

O Pacto Nacional de Contenção da Covid-19 nasce no momento mais grave da emergência em Saúde no País. A média móvel de mortes nos últimos sete dias chegou a 1.540 ontem (8), número recorde desde o início da pandemia.

Jornal Midiamax