Política

Moção a Fachin por anular condenação de Lula gera mal-estar na Câmara

Moção de congratulação da vereadora Camila Jara (PT) ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, causou mal-estar na Câmara Municipal de Campo Grande. A proposta, que inicialmente seria apenas lida, foi colocada em votação nominal e acabou rejeitada. Foram 16 votos contrários e apenas seis favoráveis à congratulação que, inicialmente, seria apenas lida […]

Danúbia Burema Publicado em 09/03/2021, às 12h18 - Atualizado às 12h21

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Moção de congratulação da vereadora Camila Jara (PT) ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, causou mal-estar na Câmara Municipal de Campo Grande. A proposta, que inicialmente seria apenas lida, foi colocada em votação nominal e acabou rejeitada.

Foram 16 votos contrários e apenas seis favoráveis à congratulação que, inicialmente, seria apenas lida pela vereadora. Conforme o presidente da Casa, vereador Carlão (PSB), ele havia acordado com a colega que a moção seria lida na parte da sessão destinada Pela Ordem – quando são feitas interrupções não previstas.

Ao ler a moção, Camila agradeceu ao ministro por levar segurança jurídica sobre um julgamento que, segundo ela, não foi imparcial. “A decisão do dia 8 é um reconhecimento de que sempre estivemos corretos. Infelizmente não repara os danos irremediáveis causados por Moro e pelos promotores da Lava Jato”, afirmou.

Durante a leitura, a congratulação foi lida como moção gerando questionamento de colegas contrários. “É uma moção pessoal e partidária”, afirmou Carlão. “Eu vou pôr em votação, mas não foi o combinado. Encerrei a moção com o Delei e entrei no pela ordem, como combinado com a vereadora”, reclamou.

No início da votação, Carlão fez questão de enfatizar que ela seria feita ‘no descumprimento do acordo. “Quando tratar comigo, tem que cumprir”, pontuou.

“Já pensou a gente em cada situação colocar moção em votação. Não vejo que seja o caso”, afirmou o vereador Dr. Sandro (Patriota), sobre a discussão inusitada. Ele afirmou ainda que a decisão judicial tem que ser respeitada, mas votou contra a moção.

Já o vereador Victor votou sim ‘pelo direito [dos colegas] de fazer moção de congratulação a quem lhes é importante’.

“Está se corrigindo um erro jurídico”, afirmou Tabosa. “Nós da bancada não poderíamos deixar de parabenizar o ministro Edson Fachin, porque até agora não foi provado nada contra o ex-presidente Luiz Inácio”, completou Ayrton Araújo.

Votação nominal

Ao invés de apenas lida, a intervenção da vereadora abriu votação nominal. Apenas seis vereadores concordaram com a congratulação ao ministro Fachin: Beto Avelar (PSD), Delei Pinheiro (PSD), Tabosa (PDT), Victor Rocha (PT), Ayrton Araújo (PT) e a própria Camila Jara (PT).

“Meu voto é com certeza não e mil vezes não”, declarou Tiago Vargas (PSD).

“Não podemos ser coniventes com a impunidade, com a corrupção que tantos malefícios trouxe à nossa nação. Tantas pessoas foram prejudicadas com essa quadrilha. E sabemos ligação do Fachin com o Partido dos Trabalhadores”, criticou o Coronel Alírio Villasanti (PSL).

Foram contrários: Otávio Trad (PSD), Clodoilson Pires (Podemos), Ronilço Guerreiro (Podemos), Zé da Farmácia (Podemos), Professor Juari (PSDB), João César Mattogrosso (PSDB), Riverton (DEM), Loester (MDB), Jamal (MDB), Edu Miranda (Patriotas), Gilmar da Cruz (Republicanos), Betinho (Republicanos), Professor André Luis (Rede).

Jornal Midiamax