Política

Mandetta e mais cinco pré-candidatos a presidente divulgam Manifesto pela Consciência Democrática

Ex-ministro da Saúde articulou a confecção da carta

Renata Volpe Publicado em 01/04/2021, às 10h54

Luiz Henrique Mandetta
Luiz Henrique Mandetta - Arquivo, Midiamax

Em meio à crise militar no governo Jair Bolsonaro (sem partido) que coincide com o aniversário do golpe militar, o "Manifesto pela Consciência Democrática” foi articulado e divulgado pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM). Mais cinco pré-candidatos à Presidência também assinam a carta. 

A divulgação ocorreu na última quarta-feira (31), um dia depois da renúncia coletiva inédita dos três comandantes das Forças Armadas, maior crise militar desde 1977.

Mandetta sugeriu a ação conjunta em reação às trocas feitas por Bolsonaro nos ministérios, que levaram à demissão do general Fernando Azevedo da Defesa e à saída da cúpula das Forças. O texto foi redigido entre esta terça (30) e quarta-feira (31).

Além de Mandetta, assinam o texto: Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB) e Luciano Huck (sem partido). 

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-ministro da Saúde afirma que a luta pela democracia é uma marca do povo brasileiro. “Iniciou nas Diretas Já e caminhou com a constituição cidadã com um país em construção democrática”.

Mandetta diz ainda que mais do que nunca, é preciso saber zelar pela democracia. “Por isso, o manifesto pró-democracia é para todos aqueles que sabem qual é o caminho seguro”.

Segundo a Folha de São Paulo, cotados para a disputa do ano que vem, os pré-candidatos dialogam com forças de centro, direita e esquerda e fazem oposição a Bolsonaro. O presidente não é citado na carta, que alerta para a ideia de que "o autoritarismo pode emergir das sombras" quando sociedades se descuidam da defesa dos valores democráticos.

Documento

No documento, os signatários relembram os esforços pela conquista da democracia depois da ditadura militar (1964-1985) e dizem que a saída do regime autoritário se deu pela união de "diferentes forças políticas no mesmo palanque", com o movimento das Diretas Já, publicou a Folha de São Paulo.

"Três décadas depois, a Democracia brasileira é ameaçada. A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores", afirma o texto.

Os autores sustentam ainda que a democracia "é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar" e relacionam o regime a valores como Constituição, liberdade, justiça, igualdade, respeito, prosperidade e solidariedade.

"Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, o intimidamento, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado."

A carta afirma ainda, em tom de alerta, que "exemplos não faltam para nos mostrar que o autoritarismo pode emergir das sombras, sempre que as sociedades se descuidam e silenciam na defesa dos valores democráticos".

Por fim, os subscreventes pedem que homens e mulheres que apreciam a liberdade, sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, "devem estar unidos pela defesa da consciência democrática".

"Vamos defender o Brasil", concluem.

Foi criado um grupo de mensagens que incluiu todos os pré-candidatos para a confecção da carta. A adesão, segundo pessoas que acompanharam as negociações, foi rápida, já que a bandeira da defesa da democracia é consensual. Para eventuais alianças partidárias, aí as dificuldades tendem a ser maiores.

Jornal Midiamax