Possível traição do PSDB a Marquinhos em 2020 ganha destaque na imprensa nacional

Determinação da direção nacional tucana pode impedir que o governador Reinaldo Azambuja retribua apoio de Marquinhos no pleito de 2018

Balança o acordo entre o PSD de Marquinhos Trad com o PSDB do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja. A aliança era dada como certa após o apoio do prefeito de Campo Grande ao tucano nas eleições de 2018, que foi fundamental para a manutenção de Azambuja no comando no Parque dos Poderes.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o plano do PSDB de turbinar uma candidatura presidencial em 2022, que tem como principal cotado o governador de São Paulo, João Doria, pode atrapalhar o arranjo entre os tucanos e o PSD em prol da reeleição de Marquinhos. Isso porque o PSDB nacional, comandado por Bruno Araujo, determinou que a sigla tenha candidato próprio em todas as cidades do país com mais de 100 mil eleitores.

Os municípios com espaço próprio de propaganda eleitoral na TV e importância regional são considerados estratégicos pela cúpula para fortalecer o partido com vistas à sucessão de Jair Bolsonaro.

Em solo sul-mato-grossense, Marquinhos e Reinaldo têm reiteradamente repetido que só discutirão a formação da parceria a partir de abril deste ano e que atualmente existe apenas o apoio administrativo do governo estadual à Prefeitura de Campo Grande.

“Aproximação é administrativa. Política não existe nenhuma aproximação entre a minha pessoa e o governador. Até porque falamos que só íamos discutir isso em abril, maio, junho do ano que vem”, declarou Marquinhos Trad em uma das ocasiões em que falou sobre o assunto em 2019.

Do lado tucano, Reinaldo diz que o compromisso dele com a campanha para a reeleição de Marquinhos Trad é pessoal, mas acredita que os tucanos devam ir pelo mesmo caminho em consenso em apoio ao PSD. “Eu tenho um compromisso com o Marquinhos. E esse compromisso é pessoal que eu fiz com ele e não tenho dúvida que a gente vai tentar fazer o entendimento a nível de partido”, declarou em 2019.

Segundo o jornal paulista, a ordem da direção nacional da sigla de ter candidato em todas as cidades do país com mais de 100 mil eleitores foi a sinalização que faltava para líderes tucanos que têm vontade de concorrer em 2020 e já pressionavam que a sigla se afastasse de Marquinhos.

O diário aponta os deputados federais Rose Modesto e Beto Pereira, que obtiveram votação expressiva na eleição de 2018, e o secretário estadual de Governo, Eduardo Riedel, como potenciais candidatos na capital.

“Na política, existem circunstâncias que fazem com que você necessite tomar decisões que muitas das vezes divergem das de algumas lideranças”, disse, à Folha de S.Paulo, Beto Pereira sobre o risco de desonrar a palavra com o PSD.

Possível traição do PSDB a Marquinhos em 2020 ganha destaque na imprensa nacional
Candidatura de Doria à Presidência da República em 2022 pode embaralhar acordo do PSDB e PSD em Campo Grande. (Foto: Divulgação/Governo)

Gratidão

Líder de Marquinhos na Câmara de Vereadores de Campo Grande, Chiquinho Telles (PSD) espera que os tucanos demonstrem gratidão ao apoio dado pelo prefeito à candidatura de reeleição de Reinaldo Azambuja.

“Acho que o PSDB lá tem homens de palavra. Na política ainda acredito que tem gente de palavra. A palavra é que quando você ajuda, como o Marquinhos ajudou o governador Reinaldo Azambuja em Campo Grande, se não fosse a participação efetiva do Marquinhos, juiz Odilon tinha ganho a eleição. Eu acho que gratidão tem que existir na política ainda”, disse Chiquinho ao Jornal Midiamax em 2019.

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