Passo a passo: Entenda crise envolvendo Reinaldo após pescaria na Argentina

Governador se licenciou do cargo, mas ofício só foi protocolado um mês depois

O governador deixou o Brasil para pescar com amigos e integrantes da cúpula do Governo entre os dias 6 e 10 de janeiro deste ano mesmo sem tirar férias ou comunicar previamente a Assembleia Legislativa, conforme prevê a Constituição Estadual. A ria chique é o centro de uma nova crise que envolve o governador. O Jornal Midiamax explica passo a passo os acontecimentos do último mês.

O movimento pra lá de tranquilo que contava com ausência de Reinaldo no Parque dos Poderes e em agendas públicas desde 19 de dezembro chegou ao ápice em 6 de janeiro, uma segunda-feira. Servidores denunciaram à reportagem que o governador não estaria frequentando o gabinete há dias.

Fontes ouvidas pelo Jornal Midiamax davam conta de que Reinaldo estaria desde o sábado, dia 4, ndo com amigos na pousada Gêmeos Pesca, em Itá Ibaté, Província de Corrientes, na Argentina. A reportagem iniciou a apuração e conforme a Secretaria de Comunicação do Governo, em email encaminhado no dia 8 de janeiro, Reinaldo reservava “os primeiros dias do ano, como em anos anteriores, para atender demandas e pedidos de agendamento de reuniões. Além disso, ele tem se encontrado com secretários e gestores do Governo”.

No dia seguinte, contudo, fotos e até vídeos de Reinaldo ndo com amigos foram postadas nas redes sociais e confirmaram que o governador estava fora do Brasil ndo com amigos.

Paralelo a isso, as edições do Diário Oficial dos dias 6, 7, 8 e 9 de janeiro traziam publicações assinadas por Reinaldo mesmo quando ele não estava trabalhando. Todas as publicações foram de suplementação de crédito.

O Jornal Midiamax questionou a assessoria de comunicação de Reinaldo no dia 9 de janeiro sobre ele se ausentar do Brasil no mesmo período em que publicações no Diário Oficial eram publicadas. E também o fato do Estado estar sem comando nesse período. Nenhuma resposta foi encaminhada à reportagem.

Passo a passo: Entenda crise envolvendo Reinaldo após pescaria na Argentina
(PSDB) posou em pesqueiro frequentado por ricos na Argentina | Foto: Reprodução | Instagram

A primeira aparição de Reinaldo após a viagem à Argentina foi tímida, no dia 13 de janeiro, quando chegou para trabalhar na Governadoria. Equipe de reportagem do Jornal Midiamax tentou falar com o governador para questionar o porquê da viagem sem comunicação ou férias, mas seguranças de Reinaldo não autorizaram que equipe se aproximasse.

O governador falou pela primeira vez sobre o assunto na semana passada, em agenda pública. Na ocasião, Reinaldo se esquivou do questionamento do motivo de não tirar férias e afirmou que não havia ilegalidade na viagem.

Nesta quarta-feira (5), no entanto, ofício do Executivo protocolado na Assembleia Legislativa informava que Reinaldo poderia deixar o Brasil entre os dias 6 e 10 de janeiro e que para isso se licenciaria do cargo, deixando as funções para o vice-governador Murilo Zauith (DEM).

O ofício é datado do dia 19 de dezembro, mas consta como protocolado e lido pelos deputados nesta quarta, dia em que as atividades do legislativo retornaram. O Jornal Midiamax novamente questionou a comunicação do Governo sobre o fato de mesmo licenciado do cargo, Reinaldo ter assinado decretos.

Ao invés de responder o Midiamax, o Governo decidiu publicar em seu site oficial, nesta quinta-feira (6), nota de esclarecimento com nova cópia do ofício, diferente do que consta no sistema de projetos da Assembleia Legislativa. Nele há assinatura à mão com data de recebimento do ofício em 19 de dezembro. Quem assina o documento é o secretário de Assuntos Legislativos Jurídicos, Luiz Henrique Volpe Camargo.

O mesmo documento, no entanto, só apareceu no sistema da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (5), com protocolo oficial do dia 5 de fevereiro. São vários os indícios elencados por servidores ouvidos pelo Midiamax que apontam para uma ‘manobra’ envolvendo a Mesa Diretora da Assembleia e o Governo para supostamente ‘esquentar’ a ria e os atos oficiais assinados pelo governador no período.

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