‘Nem 48h preso’: investigado por áudio homofóbico faz ameaças em página com fake news

Ele irá responder em liberdade

Após ser solto com uma série de medidas restritivas, o homem acusado de divulgar áudio homofóbico desejando que todos os gays morressem de coronavírus usou sua página em rede social para negar que seja o autor da gravação que o levou à cadeia no último sábado (16), em Bonito. No canal – que conta com 9,2 mil seguidores e são divulgados conteúdos de venda, críticas políticas e até fake news em relação às medidas de contenção ao novo coronavírus – ele ameaça rastrear aqueles que tem usado o espaço de comentários para ‘gracinhas’ e diz que moverá uma enxurrada de processos pelas críticas que recebeu.

Na transmissão, feita na última segunda-feira (18), ele diz que pessoas ‘falsas e duas caras’ serão desmascaradas. Também diz ter gravado o vídeo para esclarecer os fatos após ter tido ‘alguns problemas aí com a Justiça’.

Preso de forma cautelar após circulação de áudio desejando que homossexuais morressem do novo coronavírus, o homem nega que seja autor da gravação. “Não devo nada à Justiça em questão do áudio. Esta sendo investigado quem é que soltou aquele áudio, quem é que fez aquele áudio, não é meu. Não tem nenhum suspeito sobre aquele áudio”, diz após ter sido preso como suspeito.

Ele credita ainda a prisão à posse ilegal de arma que continha cerca de 50 munições. E ainda ameaça aqueles que entram em sua página ‘para fazer gracinhas’,  dizendo que essas pessoas ‘serão rastreadas’. Também diz que irá processar os que o estão criticando e até ameaçando de morte pelas redes sociais.

Fake news

'Nem 48h preso': investigado por áudio homofóbico faz ameaças em página com fake newsDentre as informações falsas contidas na página, uma das postagens feita em 12 de maio contraria as medidas de isolamento social orientadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e diz que é ‘pior manter em casa’.

Também há conteúdos relacionados a ministros do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como Damares Alves dizendo ser possível salvar um paciente com apenas R$ 100 mediante uso da cloroquina sem que seja necessário usar UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Há também críticas em relação a políticos locais e comentários sobre suposta candidatura do autor.

Em relação às críticas por divulgar fake news, ele se defende na página questionando o quê os críticos já fizeram de bom para a população. O acusado enfatiza ainda não ter ficado nem 48h preso. Sobre a posse de armas, ele se manifestou ainda dizendo que estava sendo julgado por muitas pessoas que também tinham armas em casa.

O caso

A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa dele. O homem foi autuado em flagrante por posse irregular e, além da arma, a polícia apreendeu também dois computadores, dois celulares e um HD externo, que serão encaminhado à perícia.

O delegado Gustavo Henriques Barros, titular da Delegacia de Polícia de Bonito, representou pela expedição de mandado de busca e apreensão, bem como pela prisão preventiva do investigado. O Ministério Público também entendeu pela necessidade da prisão, porém o Poder Judiciário indeferiu o pedido.

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito mantém uma página no Facebook e a usa para fazer discursos de ódio. Em alguns casos, chegou a ameaçar publicamente desafetos políticos e fazer apologia e incitação à violência. Ele conta com mais de 9 mil seguidores, sendo que seus vídeos alcançaram milhares de visualizações.

No início da semana, começou a circular nas redes sociais um áudio, com a voz do suspeito, contendo ofensas discriminatórias dirigidas ao grupo LGBTQ. Em certo ponto do áudio, o investigado deseja que todos os homossexuais morram de coronavírus.

Foi instaurado inquérito policial para investigar as manifestações discriminatórias e seis testemunhas descreveram-no como sendo um homem agressivo e perigoso, relatando que estão com medo de testemunhar por conta dessa agressividade.

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