‘Jogam ela contra mim’, diz Bolsonaro sobre Tereza Cristina em reunião de ministros

Ministra estava presente no encontro, mas não fez nenhum comentário sobre 'alfinetada'

Durante reunião com todos os seus ministros no dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamou que a imprensa tenta jogar a ministra da Agricultura, (), contra ele. Presente no encontro, a ministra não comentou a alfinetada e se ateve a tratar da produção brasileira e o acesso do agronegócio a mercados internacionais.

O conteúdo da reunião veio à tona nesta sexta-feira (22), por meio do STF (Supremo Tribunal Federal). Junto com ele, várias polêmicas de Bolsonaro chamando governadores de ‘bosta’, ‘estrume’ e reclamando da falta de acesso a informações de inteligência da Polícia Federal. Na gravação, há também o presidente orientando seus ministros a ‘ignorarem 100%’ a imprensa, seguindo o exemplo de como ele próprio lida com veículos de comunicação. A recomendação foi feita em conversa sobre assuntos institucionais, sobre os quais os integrantes do Governo têm o dever de prestar contas.

Durante as reclamações contra a imprensa, Bolsonaro reclamou que o Governo estaria sendo pautado pelos veículos e que até a ministra tentavam jogar contra ele. “A gente tá sendo pautado por esses pulhas, pô. O tempo todo jogando um contra o outro. Até a Teresa Cristina contra mim (ininteligível). Mas para jogar a Teresa Cristina … jogam ela contra mim. O tempo todo, tá? Então se a gente puder falar zero com a imprensa é a saída”, enfatizou.

Recentemente, a imprensa nacional noticiou insatisfação da ministra por ser alvo do chamado gabinete do ódio presidencial. Nas redes sociais, ela estaria sendo motivo de comentários simplesmente por defender parceria comercial com a , principal mercado exportador do Brasil e inclusive de . Recentemente, o filho do presidente culpou publicamente o país asiático pela pandemia do novo coronavírus.

Apesar das alfinetadas, a ministra se ateve no encontro a discutir questões voltadas ao agronegócio. Mesmo após a fala do presidente, ela ressaltou após ter participado de reunião do G-20 da Agricultura que o Brasil só não tem autossuficiência na produção de milho. Novamente, a ministra defendeu que é preciso ter acesso aos mercados.

Na sequência, o presidente pergunta qual região seria mais propícia para a produção e a ministra aponta as regiões que estão prontas para o cultivo. “O que nós precisamos é baixar o juros. A agricultura não aguenta nove por cento de juros, é muito alto pra ela”, enfatizou .

Concessões

A reunião com os ministros foi marcada para apresentação do Plano Pró-Brasil, prevendo a retomada de investimentos em diversas áreas. A polêmica sobre o encontro foi causada após vir à tona que o presidente reclamou de não ter acesso a dados de inteligência da Polícia Federal.

Durante a conversa, o ministro da Economia defendeu a retomada do crescimento por meio de investimentos privados e criticou a possibilidade de investimentos públicos financiados pelo Governo. Também mencionou a estimativa de quanto seria possível levantar em recursos por meio de concessões, chegando-se ao montante de R$ 250 bilhões.

Então, eu acho um discurso bom, mas nós temos que tomar cuidado e reequilibrar as coisas. Não pode ministro pra querer ter um papel preponderante esse ano destruir a candidatura do presidente, que vai ser reeleito se nós seguirmos o plano das reformas estruturantes originais. Então eu tenho que dar esse recado, nós vamos estar à disposição, nós vamos ajudar tudo, mas nós não podemos nos iludir. O caminho desenvolvimentista foi seguido, o Brasil quebrou por isso, o Brasil estagnou. A economia foi conompi … a política foi corrompida, a economia estagnou através do excesso de gastos públicos. Então achar agora que você pode se levantar pelo suspensório, como é que um governo quebrado vai investir, vai fazer grandes investimentos públicos?”, questionou.

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