Deputados de MS condenam fala de Bolsonaro, mas dizem se preocupar com economia

Parlamentares falam que presidente vai na contramão do mundo e não sabe se expressar

Os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul se manifestaram sobre o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao dizer que o coronavírus é apenas um resfriadinho e que a mídia estava causando pavor na população. Os parlamentares dizem que o presidente não sabe se expressar, está na contramão da OMS (Organização Mundial de Saúde), mas alguns também se preocupam com a economia do país devido ao isolamento, seguindo a mesma linha de pensamento do presidente.

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Jamilson Name. (Luciana Nassar, ALMS).

De acordo com o deputado Jamilson Name (sem partido), a declaração do presidente vai contra ao que o mundo tem vivido com a pandemia. “Tem acontecido nos países de primeiro mundo também. Bolsonaro quer fazer política, se aparecer e não está preocupado com o coronavírus. É muito triste ter um presidente com essa postura, num momento que precisamos ter um líder para nos guiar nessa pandemia”.

Name diz que apesar de tudo, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, está sabendo lidar com situação. “Temos que agradecer de ter o Mandetta, nosso conterrâneo, desenvolvendo grande trabalho com grande sabedoria e discernimento, tratando assunto com seriedade. Temos o lado negativo, mas o positivo que é Mandetta a frente da pasta da Saúde”.

Segundo Barbosinha (DEM), o coronavírus é um assunto técnico e infectologistas, profissionais da área de

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Barbosinha. (Wagner Guimarães, ALMS)

saúde, a ciência, precisam ser ouvidos neste momento. “A fala do presidente vai na contramão de tudo que a ciência tem afirmado até então e inclusive da experiência vivenciada dos países que nos antecederam da crise. A fala dele mergulha a população numa profunda dúvida, contrapõe as recomendações do próprio Ministério da Saúde”.

Conforme o parlamentar, a população compreende o que está acontecendo. “Que tenhamos uma maior responsabilidade por parte do presidente da República, uma sintonia do governo para que a fala do maior mandatário do país sirva para diminuir a intensidade da angústia que as pessoas vivem e não para angustiar ainda mais as pessoas”.

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Pedro Kemp. (Wagner Guimarães, ALMS)

O deputado Pedro Kemp (PT) classificou como lamentável o pronunciamento de Bolsonaro e avaliou que ele só está preocupado em salvar a economia e seu governo. “Ele está na contramão das orientações da OMS e do próprio Ministério da Saúde do seu governo. Ele está propondo o contrário daquilo que os líderes dos países estão fazendo para proteger suas populações”.

Kemp considerou criminoso o pronunciamento do presidente. “Com mais este pronunciamento, ele acabou de dar a prova final de que não têm condições intelectuais de continuar governando o Brasil. Para além de irresponsável, a fala do presidente foi criminosa”.

Economia

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Deputado Evander Vendramini. (Wagner Guimarães, ALMS)

Evander Vendramini (PP) disse que Bolsonaro errou na forma de se expressar, mas está preocupado com a economia. “Sinto que ele tem a preocupação sim com o vírus, mas também está muito preocupado com a economia. As pessoas vão começar a passar necessidades por não estarem trabalhando e ganhando seu pão de cada dia, principalmente os autônomos. Falta coordenação no governo para buscarem o mesmo objetivo falando a mesma língua”.

No mesmo tom, Herculano Borges (SD) avalia que o presidente aplicou mal as palavras, mas não deixa de ter razão sobre a economia brasileira estagnar devido ao isolamento da população. “Pelo que entendi, ele pede para que voltem às atividades os que não fazem parte do grupo de risco, desde que tomem todos os cuidados necessários; e os que são do grupo de risco que se mantenham em isolamento”. 

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Herculano Borges. (Wagner Guimarães, ALMS)

Herculano reforça que concorda com todas ações tomadas em Campo Grande e no Estado, inclusive, com as medidas tomadas para evitar as grandes aglomerações. “Mas, a partir do mês de abril, sou favorável a uma flexibilização maior e controlada a fim de que a economia seja retomada, evitando a fome e um colapso financeiro sem medidas, mas sem  proporcionar grandes riscos à vida”.

Capitão Contar (PSL) afirma que o Brasil precisa se agir e unir, se não, pode sucumbir a outros problemas além do coronavírus, como o desemprego, desabastecimento, falência dos meios de produção, violência, fome. “Se a economia não fluir, empresas ficarão sem dinheiro e, consequentemente, as pessoas ficarão sem dinheiro. Logo, não poderão comprar comida ou remédios. A arrecadação pública também entrará em colapso e o poder público não conseguirá pagar seus servidores e nem manter suas estruturas básicas como segurança e saúde. A violência e a fome crescerão exponencialmente. Será como em uma guerra: morreremos disputando pela nossa sobrevivência”.

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Capitão Contar. (Wagner Guimarães, ALMS)

Contar concorda com a necessidade de resguardar os idosos e as pessoas no grupo de risco e liberar as outras pessoas para retornarem ao trabalho. “É possível realizar a quarentena vertical/seletiva e salvarmos o país. Apoio a mensagem principal do pronunciamento do presidente, que é para o bem de todos os brasileiros e o Brasil não pode parar. Precisamos voltar aos trabalhos, devidamente protegidos, para poder cuidar de nossas famílias”.

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