Consultora que representa Odebrecht contrata Sérgio Moro

Ex-ministro da Justiça defendeu que não há conflitos de interesse

Moro irá atuar na área de disputas e investigações e, conforme divulgado no site da empresa, a contratação “está alinhada com o compromisso estratégico de desenvolver soluções para as complexas questões de disputas e investigações, oferecendo aos clientes da consultoria e seus próprios consultores a expertise de um ex-funcionário do governo brasileiro”.

Moro é apresentado pela consultoria como um especialista em liderar investigações anticorrupção complexas, crimes de colarinho branco, lavagem de dinheiro e crime organizado.

A apresentação destaca a atuação do ex-juiz na Operação Lava Jato. “Tanto como ministro quanto como juiz federal, Moro colaborou com autoridades de países da , América do Norte e Europa na investigação de casos criminais internacionais relacionados a , lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e crime organizado”, diz o texto.

Uma das empresas investigadas pelo magistrado é a , que assinou um acordo bilionário para cooperar com as investigações a partir de 2016.

Pelo Twitter, nesta segunda-feira (30), Moro destacou a contratação e disse que não há conflitos de interesse na atuação, já que não vai atuar na advocacia.

A empresa explicou que o papel de administrador judicial, como o que exerce em relação à , não envolve o processo ao qual a empresa foi submetida, mas a fiscalização, acompanhamento de prazo e ações, funcionando como “olho” do juiz para garantir que a está sendo conduzido de forma correta.

Destacou também que a empresa possui sete diferentes áreas de atuação, entre elas a de administração judicial, mas que Moro atuará especificamente nas disputas societárias e financeiras em diversos segmentos e projetos de empresas que precisam estruturar processos, sistemas e governança de forma a prevenir fraudes.

O ex-ministro fará parte de uma equipe que já conta com vários outros ex-funcionários de governos, como Steve Spiegelhalter (ex-promotor do Departamento de Justiça dos EUA), Bill Waldie (agente especial aposentado do FBI), Anita Alvarez (ex-procuradora do estado de Cook County, Chicago) e Robert DeCicco (ex-funcionário civil da Agência de Segurança Nacional).

Moro e a Lava Jato

Enquanto juiz federal em Curitiba, em junho de 2015, Moro ordenou a prisão do ex-presidente da , Marcelo , em uma das fases da Lava Jato. Em março do ano seguinte, também condenou Marcelo a 19 anos e quatro meses por crimes como corrupção e organização criminosa e outros quatro executivos.

Na sentença, o juiz considerou que Marcelo repassou R$ 109 milhões e U$ 35 milhões em propina a agentes da .

Meses mais tarde, em maio, por falta de provas, o magistrado rejeitou outra denúncia contra Marcelo, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de pagar propina para evitar a convocação na CPI da .

Já em dezembro, fechou acordo de colaboração com o Procuradoria-Geral da República. Um ano depois, em dezembro de 2017, após dois anos e meio na prisão, o empresário saiu da cadeia e passou a cumprir a pena de prisão domiciliar. Em setembro do ano passado, ele foi beneficiado com a progressão de regime e, atualmente, não cumpre mais prisão domiciliar.

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