Ainda sem decisão sobre adiamento da eleição, rumos e alianças são incertos, dizem vereadores

Proposta para mudar a data só será avaliada depois de 30 de junho, de acordo com o Senado

Incertezas dão o tom das respostas de vereadores a respeito da eleição municipal de 2020 e refletem o período pré-eleitoral. Por causa da pandemia de coronavírus (Covid-19) e as consequências até agora, há possibilidade de adiamento do pleito, marcado para outubro. A decisão, no entanto, só será tomada depois de junho, segundo o Senado.

Em Campo Grande, já são 14 pré-candidatos a prefeito e os 29 vereadores devem disputar reeleição ou tentar o Paço Municipal. Entre eles, têm os que acreditam que a prorrogação dos mandatos, como consequência do adiamento da eleição, não ocorrerá. Outros avaliam que ‘tudo é possível’, inclusive, a mudança de alianças já pré-definidas, e os que pensam que, caso o pleito não ocorra em outubro, esta será a única alteração.

“O prazo fatal para a eleição é a filiação há 6 meses do pleito. Se alterarem após o dia 6 de junho, nada irá mudar. Só a data da eleição”, afirma o vereador Vinicius Siqueira (PSL), que recentemente anunciou a pré-candidatura à chefe do Executivo municipal – até começo de maio o parlamentar reforçava que seria candidato à reeleição.

Presidente do PSDB na Capital, o vereador João César Mattogrosso também foi breve ao responder apenas que, sim, ‘tudo é possível’, com relação à mudança no cenário de alianças, caso a eleição daqui quatro meses seja desmarcada e, com isso, as siglas tenham mais tempo para conversas e acordos.

Os tucanos têm na manga o desenho de aliança com o PSD do prefeito Marquinhos Trad, que vai à reeleição – o PSDB pode indicar o candidato a vice na chapa do atual chefe do Executivo municipal. Contudo, no que tange ao conhecido nos holofotes, nada está definido de fato. O vereador não citou, mas essa pode ser uma das reviravoltas, caso o calendário eleitoral mude.

Líder de Marquinhos na Casa de Leis, o vereador Chiquinho Telles (PSD) acredita que o adiamento, se ocorrer, ‘muda alguma coisa’, mas não citou quais possibilidades. “De qualquer jeito temos de enfrentar as urnas. Tudo está meio indeciso, vamos esperar. O jeito que a banda tocar vamos ter de dançar”.

“Com certeza o cenário poderia ser alterado, pois com nova data, tanto o período de filiação, como da janela partidária, precisariam ser alterados proporcionalmente”, avalia o vereador André Salineiro (Avante). Para ele, o Senado age corretamente ao decidir sobre a questão ‘mais para frente, pois talvez não haja essa necessidade’.

Se houver alteração na data, as legendas terão mais tempo para avaliar e, caso tenham pré-candidatura a prefeito definida, se coligar com outra proposta ‘mais viável’, segundo o vereador Betinho (Republicanos). “Uma vez que perceber que não tem condição, ao invés de lançar candidatura própria, se aliar a outro mais viável”.

Para o vereador Ayrton Araújo (PT), é bem provável que o dia da eleição mude, diante do quadro atual da pandemia. O parlamentar cita a aliança entre PSD e PSDB como a ‘mais visível e acordada’ e que só não ocorrerá, se uma das partes descumprir o combinado, mas não pela eventual suspensão do pleito eleitoral de outubro.

“Tirando isso, os que têm candidatos a majoritária, não têm nada definido, não têm aliança costurada. Acredito que será uma eleição diferente”. O PT lançou o deputado estadual Pedro Kemp como pré-candidato ao Paço Municipal de Campo Grande. “Mas não sabemos quem vai ser o vice”, comentou o vereador ao reforçar o panorama de incertezas. “Está complicado. Acredito que melhore”.

 

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