‘Sem Nordeste, difícil estados e municípios entrarem na reforma’, admite líder do Governo

Joice Hasselmann também comentou sobre fogo amigo de deputado do DF e 'sensibilidade' excessiva de políticos às críticas recebidas

Estados e municípios devem ficar fora da Reforma da Previdência caso parlamentares e governadores do Nordeste não apoiem a proposta, revelou nesta sexta-feira (5) a deputada federal e líder do Governo, Joice Hasselmann (PSL-SP). A inclusão de entes da federação é uma reivindicação dos chefes do Executivo.

Joice está em Campo Grande para um evento com empresários, no Sebrae, às 19h, e concedeu entrevista coletiva nesta tarde falando sobre vários assuntos ligados ao Governo Federal, Congresso, alianças e política partidária.

“A cada momento em que passa essa questão fica mais difícil aprovar em plenário. Esse ponto foi retirado do texto original justamento por que houve uma campanha muito pesada dos partidos de oposição, dos governadores do Nordeste que comandam esses partidos contra a nova previdência. Isso gerou efeito bumerangue”, destaca Joice.

Além disso, a parlamentar disse que parlamentares de partidos de centro sentiram-se desgastados pelos partidos de oposição, gerando impasse. “Então a condição colocada por esse deputados foi a oposição e os governadores entregarem os votos, se não cada governador terá que fazer a sua própria reforma”, conta Hasselmann, que completa.

“O ideal é que estivesse tudo no mesmo pacote, liquidaria a fatura toda de uma vez só lá no Congresso, mas os parlamentares que foram desgastados dizem que posso pedir qualquer coisa, menos o suicídio. Se não houver uma costura, pelo clima que sinto no plenário, vai ser muito difícil colocar estados e municípios”, conclui.

Fogo amigo e ‘ui, ui’ na política

Já quando questionada sobre como lidar com críticas feitas por aliados a integrantes do Governo, Joice argumenta que é preciso cuidado para lidar com o ‘fogo amigo’. Em específico, ela falou sobre as críticas do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) ao ministro da Economia, Paulo Guedes, sugerindo inclusive sua saída do Governo.

“Fico em uma situação muito desconfortável, uma saia justa, por que o DEM é um partido aliado, Paulo Guedes é do nosso Governo. Eu como líder do Governo, meu papel é construir pontos, então eu tenho que derrubar muros e construir pontos. Para mim, criticar um aliado é complicado, e não defender o ministro também”, diz Joice.

A parlamentar ainda frisa acreditar que Miranda se excedeu nas críticas, mas ainda opinou sobre uma sensibilidade além do comum na política atual. “Acho que todo mundo está muito sensível hoje na política brasileira, qualquer brisa dá pneumonia, está tudo muito ‘ui’. Agora temos que acalmar, curar as feridas e recomeçar. Luis é um aliado e acho que já se arrependeu. Vamos em frente”, encerra.

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