‘Todos nós falhamos’: Tio Trutis acha errado ligar discurso armamentista com massacre em Suzano

Deputado federal é a favor da posse e porte de arma e não vê relação entre crime e armamento

Deputado federal, Tio Trutis. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Para o deputado federal Loester Carlos (PSL-MS), mais conhecido como Tio Trutis, a figura de um professor que praticasse tiro esportivo e estivesse armado no momento do atentado que aconteceu no Suzano, região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (13), poderia ter evitado as mortes. No atentado, dois atiradores mataram ao menos oito pessoas e depois se mataram.

Em conversa com a reportagem do Jornal Midiamax, o parlamentar alega que não havia naquela região nenhuma figura armada, seja da segurança pública, ou civil, que pudesse impedir o atentado.

“Um dado que eu não sei se você sabe, cem por cento dos atentados em escola aconteceram em zonas considerado livre de armas, ou seja, não havia nem uma Guarda Municipal, não havia um segurança particular armado, não havia nenhum professor que seria um atirador desportivo e poderia tá armado naquele momento para impedir aquela tragédia”, afirma.

“Acho que qualquer coisa que tenha um potencial destrutivo na mão de uma pessoa mal-intencionada, ela pode causar algum dano à sociedade. A gente tem um grande exemplo aí dos carros e caminhões, onde o caminhoneiro dirige sobre efeito de drogas e o motorista do carro dirige sob efeito de álcool. Na mão dum pai de família responsável, ele é o ganha pão e o lazer da família. Na mão de uma pessoa irresponsável, ele acaba causando uma tragédia”, compara.

“Então assim, eu acho que é aquela velha frase: ‘armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas’. Né?”

Na opinião de Tio Trutis, a flexibilização da posse de arma, que foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro deste ano, não contribui para que situações como a de hoje sejam mais frequentes. O parlamentar argumenta que a maioria desses crimes são praticados por pessoas que não possuem permissão para estar armado, com armas ilegais.

“Então, assim, acho que a pessoa mal-intencionada, se ela tiver uma garrafa na mão, ou até um abridor de lata, ela pode ferir alguém. Agora, a arma na mão de uma pessoa, por exemplo, treinada e capacitada psicologicamente, né, e bem-intencionada, ela pode realmente proteger”, diz Trutis.

“Mas, nesse caso de Osasco (sic) especificamente, eu acho que todos nós falhamos, né. O estado falhou em não dar uma educação eficiente para aquele jovem, a família falhou porque ali ela não soube passar valores suficientemente reais de preservação da vida”, analisa.

Para o parlamentar não é certo relacionar o massacre na escola pública com o discurso armamentista. “Porque a gente que é armamentista, a gente fala principalmente em proteção da vida, né… A gente fala que o bem mais precioso que Deus deu pra gente foi a vida, e ninguém tem autoridade de tentar contra sua vida. Eu digo muito, assim, no caso de assalto, não mataria por causa de um telefone celular, mas, se alguém quiser tirar minha vida para obter esse telefone, para me roubar esse telefone, não pode reclamar do resultado. O que aconteceu foi uma tragédia, assim, imensurável, mas não tá relacionada ao porte de arma. Até porque a pessoa que cometeu esse ato não tinha esse porte. Tá bom?”

O ponto de vista é compartilhado pelo também deputado federal Dr. Luiz Ovando (PSL), que citou dados de 2010 onde, de acordo com ele, 42 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito. “Você é a favor que se extinga a venda de automóveis?”, indagou o parlamentar, em uma comparação com a questão do armamento.

“Eu não sou a favor da arma, mas a favor da liberdade de escolha se quiser ter posse ou porte de arma desde que, bem regulamentado e adequadamente avaliado quem assim o desejar”, completou Ovando.

Contra o porte, mas a favor da posse

Para o deputado federal Fábio Trad (PSD), a flexibilização da posse de arma não tem relação com o atentado, porém, ele pondera que uma facilitação para o porte poderia gerar aumento na criminalidade.

“É importante diferenciar posse de porte. Parece-me que flexibilizar o porte pode sim gerar uma onda de criminalidade violenta contra a pessoa, em especial episódios ocasionais de crimes de ímpeto, porém a posse não me parece que surta efeito criminógeno porque diz respeito à defesa da família e propriedade”, alegou o parlamentar. (Editado para acréscimo da íntegra das declarações)

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