Por mais representatividade, líderes defendem reserva de vagas para mulheres no Legislativo

Audiência pública debateu cotas partidárias e a efetiva participação das mulheres na política

Por mais representatividade, líderes defendem reserva de vagas para mulheres no Legislativo
Tatiana Ujacow. advogada e militante em defesa de minorias, discursa durante debate na Câmara de Vereadores de Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio)

Lideranças políticas femininas defenderam uma legislação que garanta um percentual mínimo de vagas para mulheres nas cadeiras dos legislativos municipais, estaduais e federais para terem uma maior participação na política. O assunto foi tema de debate em audiência pública na Câmara de Vereadores de Campo Grande, nesta segunda-feira (18).

A senadora de Mato Grosso do Sul Soraya Thronicke (PSL) argumenta que é necessária uma lei que garanta uma paridade de gênero no Congresso e nas Casas de Leis do País.  “A solução é fazer o que outros países têm feito e tem dado certo, 50% para homens e 50% destinado a mulher”, sustenta.

A parlamentar considerou “uma lástima” o fato de o Estado ter 54% do eleitorado composto por mulheres e não eleger nenhuma representante deputada estadual, e ter conseguido eleger três mulheres em 2018, num universo de 27 cargos para o Senado, Assembleia Legislativa, Câmara Federal e governo estadual e federal.

A secretária especial de Políticas Públicas para as Mulheres do Governo do Estado, Luciana Azambuja, lembrou que se houvesse a cota feminina de cadeiras, haveria duas eleitas na Assembleia Legislativa. Uma delas seria Mara Caseiro (PSDB), que também participou do debate, e defendeu uma lei com obrigatoriedade de pelo menos de 30% das vagas sejam destinadas a mulheres.

A coordenadora estadual e porta-voz de MS na nacional da Rede Sustentabilidade, Tatiana Ujacow, apontou que o caminho no empoderamento feminino é difícil, porém, é preciso lutar pelo aumento das cotas que reserva percentual de candidaturas de mulheres nas eleições e dos recursos eleitorais.

“Temos muito que avançar, temos muito a corrigir. Sabemos que muitas mulheres são usadas ainda hoje na política, como as famosas ‘laranjas’ no processo. Então nós precisamos de mais transparência nesse processo todo, mas ética, mais decência. Não é só garantir cotas para as mulheres, mas garantir efetivamente que elas participem em pé de igualdade de condições. Nada acontece se a mulher não se empoderar disso também. A responsabilidade também é da mulher em não se deixar usar”, argumenta Tatiana.

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Considerada maior referência política feminina, Marisa Serrano defendeu manutenção e ampliação das cotas. (Foto: Marcos Ermínio)

Tratado com reverência pelos presentes na audiência pela sua trajetória política, a ex-senadora Marisa Serrano diz que as mulheres estão empoderadas em diversos setores, no entanto, na questão política “não está bem resolvida”. Ela alertou sobre a proposta do senador Angelo Coronel (PSD-BA) que revoga a obrigatoriedade de os partidos preencherem 30% de suas candidaturas de mulheres.

“O Brasil está na 134ª posição entre os países do mundo em número de mulheres nos parlamentos. Precisamos evoluir muito ainda nessa questão”, avalia Marisa. “As cotas são necessárias e precisam ser mantidas. Não é porque algumas erraram que precisa penalizar todas”, diz em relação as suspeitas de candidaturas laranjas.

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