‘Poderia morrer e deixar o meu neto viver’, diz Lula em entrevista

Ex-presidente concedeu entrevista aos jornalistas Mônica Bergamo e Florestan Fernandes Junior

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista nesta sexta-feira (26) aos jornais Folha de São Paulo e El País, conforma decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli. Durante a conversa, na sede da Polícia Federal de Curitiba (PR), onde ele está preso, o ex-presidente falou sobre a morte do neto Artur, de 7 anos, vítima de uma infecção bacteriana.

“Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver”, declarou Lula, que, segundo matéria da Folha, se emocionou com a pergunta.

O ex-presidente também foi perguntado sobre a presidência, a política externa do país e sobre as ações do governo federal. Lula, inclusive, chegou a satirizar o ex-juiz federal Sérgio Moro, atual ministro da Justiça. “Sempre riram de mim porque eu falava ‘menas’. Agora, o Moro falar ‘conje’ é uma vergonha”.

Para Lula, a elite brasileira deveria fazer uma “autocrítica”, principalmente sobre o cenário que o país vive. “Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso”.

Sobre o presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ex-presidente não foi tão incisivo, de acordo com a Folha. Apenas afirmou que ele precisa construir “um partido sólido, ou não perdura”, porém, sobre os filhos do presidente, aumentou um pouco o tom.

“Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”, o questionamento se refere ao fato de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, ter empregado em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro familiares de um miliciano que está foragido da Justiça.

Sobre Eduardo Bolsonaro, filho do meio do presidente, Lula lembrou de o fato do deputado ter sido contra sua saída para acompanhar o velório do neto. Ainda sobre o assunto o ex-presidente disse ser grato ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, por ter defendido sua saída.

A entrevista ocorreu em uma sala da PF de Curitiba e o ex-presidente teve de ficar a 4 metros de distância de todos, e ninguém poderia se aproximar. Ao todo, ainda conforma a Folha, foram duas horas de dez minutos de conversa.

Ao ser perguntado sobre o diálogo do Brasil com os outros países, Lula afirmou que o país tem “o mais baixo nível de política externa que já vi na vida”, em referência ao atual chanceler, Ernesto Araújo.

Em decisão unânime na terça-feira (23), a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) reduziu a pena do ex-presidente de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias no caso do Triplex do Guarujá. Com a decisão, Lula poderá sair do regime fechado e ir para o semiaberto em setembro deste ano.

Lula também foi condenado em um segundo caso, que envolve o sítio de Atibaia (SP), em 12 anos e 11 meses de prisão, na primeira instância de Curitiba, mas o caso ainda passará por análise do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região)

A entrevista com o petista foi solicitada no ano passado e só agora, depois de ter sido barrada pelo ministro do STF Luiz Fux, em setembro de 2018, que conseguiu ser realizada com a presença dos jornalistas Mônica Bergamo da Folha, e Florestan Fernandes Junior do El País.

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