Militares dizem que Governo falou de ‘estruturar’ carreiras, ao invés de reajuste

Representantes das categorias participaram de reunião na Segov na tarde desta quarta-feira (15).

Terminou há pouco reunião de entidades que representam os policiais e bombeiros militares de Mato Grosso do Sul com o titular da Segov (Secretaria de Governo e Gestão Estratégica), Eduardo Riedel, na Governadoria. Segundo as entidades, na conversa não houve nenhuma promessa relacionada ao abono nem ao reajuste, mas foi anunciado que o Governo do Estado irá apresentar na próxima semana um plano de estruturação para as carreiras militares.

O plano proposto já estaria inclusive pronto, pois foi elaborado em 2017 por técnicos da SAD (Secretaria de Administração e Desburocratização) em conjunto com representantes dos Bombeiros e da PM. Ele contém estudo financeiro para reestruturação da carreira, mas ainda não havia sido apresentado aos servidores.

Presidente da AME-MS (Associação dos Militares do Estado de Mato Grosso do Sul), Thiago Mônaco Marques informou que no dia 25 haverá assembleia geral da PM e Bombeiros e o pedido é para que, na data, os dados já tenham sido apresentados pelo Executivo, inclusive com os valores do plano de reajuste com a reestruturação, para que possa ser apresentado à categoria.

Abono e reajuste

Segundo Thiago, o Governo informou que a discussão sobre abono e reajuste deve terminar em quinze dias. E na quinta-feira (16) será apresentado à comissão de deputados a análise sobre a manutenção ou não do abono e sobre o valor de reajuste. Os dados não foram informados à categoria.

Apesar do anúncio do plano de estruturação, Thiago reclamou que a reunião foi evasiva sem proposta concreta, contando apenas o que irá acontecer. “Não foi nada objetivo”, reclamou. Os deputados estaduais Capitão Contar (PSL), Cabo Almi (PT) e Coronel Davi (PSL) participaram da conversa.

Mesmo em meio a discussões sobre reajuste e abono, Mônaco ressaltou que uma política de valorização da PM e dos Bombeiros militares é a principal demanda da categoria.

Correção das perdas

Alírio Vilassanti reforçou necessidade de repor perdas salariais. Foto. Leonardo França.

Alírio Vilassanti, presidente da AOFMS (Associação dos Oficiais Militares Estaduais de Mato Grosso do Sul), lembrou que nos quatro últimos anos a categoria teve 20% de perda em razão da ausência de reposição inflacionária. A política de carreira seria uma forma de reparar os danos. O estudo feito em 2017 teria o intuito de justamente corrigir perdas salariais dos militares.

Ele informou ainda que, apesar do Governo alegar que precisa de reaquecimento da economia, não foi garantido nem sequer reposição da inflação de 4,66% registrado pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no acumulado de março a março.

Mesmo assim, ele considerou avanço importante no diálogo porque conseguiram conversar diretamente com secretário Riedel, sem interlocutores. Mas, afirmou que precisam de sinalização concreta do Governo para a proposta ser apresentada aos militares.

As entidades que participaram da reunião destacaram particularidades da categoria militar, como periculosidade e exclusividade que, segundo os dirigentes, tornam a política de valorização ainda mais imprescindível.

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