‘Foi a gota d’água’, diz Siqueira sobre protesto com agressões a passageiras

Manifestação aconteceu no terminal Morenão, na quinta-feira, e teve como alvo a falta de ônibus no transporte coletivo de Campo Grande

Para o vereador Vinicius Siqueira (DEM), o protesto realizado por cerca de 100 mulheres no terminal Morenão na manhã de quinta-feira (15) é reflexo dos transtornos enfrentados todos os dias pelos usuários do transporte coletivo de Campo Grande, serviço público que funciona em regime de concessão para o Consórcio Guaicurus.

“Aquilo foi a gota d’água. Foi só a explosão do povo diante de um problema que não aconteceu só ontem, vem acontecendo todos os dias, segundo a população. E a gente precisa apurar. Só tem um jeito de apurar isso, abrindo CPI e pedindo cópias das notas fiscais de combustível do Consórcio”, frisa Siqueira.

O vereador destaca que existem suspeitas de supressão de linhas e que para confirmar a questão é preciso ter acesso a essas notas. “Eles deve rodar 42 milhões de quilômetros por ano precisam comprar determinada quantidade de diesel. Se esse diesel não foi comprado, é por que estão tirando linhas”, explica.

Vinicius também diz que, só dessa forma, é possível punir o Consórcio Guaicurus com ações de reparação e, se for necessário e possível, até chegar a quebra de contrato com inabilitação para concorrer em outro certame.

Indignadas com o atraso e falta de ônibus, várias pessoas fecharam a pista do terminal Morenão em protesto contra a situação. Contudo, a Guarda Municipal foi até o local e, com uso de spray de pimenta, dispersou a manifestação. Armas de grosso calibre também foram apontadas para as mulheres, em ação considerada truculenta.

“Está começando a ficar perigoso. A população está começando a perder a paciência, a trancar terminal. Daqui a pouco começam a quebrar ônibus e a gente está assistindo um prefeito que não se movimenta e uma Câmara que não abre investigação. Estou bastante preocupado com esse cenário”, opina Vinicius, que completa.

“Sem essa quebra de sigilo fiscal e bancário [a partir de CPI], a gente não tem como saber se eles estão tirando [linhas de circulação]. O sistema como está hoje, o Consórcio está controlando todo ele. Por isso que a CPI é essencial. Se a gente não tiver CPI a coisa não vai ser investigada”.

Além de Siqueira, o vereador Chiquinho Telles (PSD) também se manifestou diante do ocorrido e afirmou que o prefeito Marquinhos Trad (PSD) não deixará o caso passar em branco. A prefeitura também anunciou que vai apurar os motivos da falta de ônibus. A OAB-MS repudiou a ação e pediu apuração sobre a violência.

Já o Consórcio Guaicurus revelou que foi surpreendido com o movimento atípico do feriado da Proclamação da República – o comércio da cidade funcionou normalmente. A Guarda Municipal prometeu que vai investigar a atuação da equipe, enquanto a deputada federal Rose Modesto (PSDB) lamentou que mais uma vez mulheres tenham sido agredidas.

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