‘Difícil opinar’: De Dourados, deputado Marçal diz que nem sabia de contrato da Sanesul

Imbróglio envolvendo renovação entre prefeitura e empresa estatal ganhou foco na cidade recentemente

Apesar de ser douradense e ter a maior cidade de Mato Grosso do Sul como sua base eleitoral, o deputado estadual Marçal Filho (PSDB) preferiu não opinar sobre o contrato entre prefeitura e Sanesul, que está prestes a ser assinado por R$ 3 bilhões e foi classificado pelo Ministério Público como negociata.

“É difícil opinar sobre esse contrato. É a prefeitura e são os vereadores que devem analisar se é benéfico ou não a renovação do contrato e quais as condições dele. Eu não o conheço, não estou vereador, não tenho condições de te falar e analisar em quais termos foram feitos esse contrato”, justifica o deputado.

Brevemente, Marçal fala que é necessário avaliar o que é melhor para a cidade, dizendo ainda ouvir do Governo do Estado – controlador da Sanesul – que a questão do esgoto será resolvida e Dourados contará com 100% de coleta em alguns anos.

Já o deputado estadual Barbosinha (DEM), que também é de Dourados e ex-presidente da Sanesul, defende a renovação do contrato com a empresa estatal. “A Sanesul realiza grandes investimentos, tanta na parte de distribuição de água como de esgoto. Nos últimos 10 anos os investimentos em Dourados foram expressivos”.

Entre os projetos elencados pelo deputado, estão a construção de uma grande estação de tratamento, de vários quilômetros de rede e ampliação para 40% da rede de coleta e tratamento. “Do ponto de vista de investimento, justifica a renovação”, frisa.

Ele ainda comenta que, mesmo prevendo 30 anos de “casamento”, o contrato pode ser interrompido se a Sanesul não cumprir o plano de investimento. “Vendo assim, considero o contrato benéfico, salutar pelos investimentos feitos”, diz, completando.

“Mesmo com esse tempo muito seco e quente Dourados não sofreu com desabastecimento, então isso significa que o trabalho da Sanesul na cidade está sendo feito, que é um bom trabalho o realizado lá”, finaliza Barbosinha.

A reportagem procurou outros deputados estaduais com base em Dourados para comentar a situação do contrato da água e saneamento básico, como Renato Câmara (MDB) e Zé Teixeira (DEM), porém não obteve êxito no contato telefônico até o fechamento do texto.

Assinatura do contrato

O contrato chegou a ser barrado judicialmente após o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) entrar contra a renovação, alegando que havia uma negociata em questão, envolvendo R$ 3 bilhões para 30 anos de acordo.

Contudo, a assinatura do contrato entre prefeitura e Sanesul foi liberada por decisão proferida nesta segunda-feira (16) pelo presidente do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), Paschoal Carmello, que derrubou a liminar obtida pelo MPMS.