Com liberdade revogada, ex-presidente da Câmara de Dourados se apresenta à polícia

Idenor Machado (PSDB) é o único preso da Cifra Negra

Alvo da Operação Cifra Negra, que apura esquema de corrupção, fraude em licitações e pagamento de propina, o vereador Idenor Machado (PSDB), se entregou à polícia nesta quarta-feira (30). A decisão do desembargador Paschoal Carmello Leandro que o mantinha em liberdade desde dezembro foi cassada ontem (29) pelo TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Presidente da Câmara Municipal de Dourados por três vezes, ele está detido no 1° Distrito Policial do município distante 225 km de Campo Grande, mas deve ser encaminhado de volta a PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Todos os outros acusados estão em liberdade.

Idenor, os vereadores Pedro Pepa (DEM) e Cirilo Machado (MDB), o ex-vereador Dirceu Longhi (PT), além do ex-servidor Amilton Salinas, são acusados de corrupção ativa e passiva. Investigações do MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) apontam que o grupo fraudava licitações em favor empresas do ramo de tecnologia da informação, em troca de propina.

‘Mesada’

Os alvos da Cifra Negra receberiam ‘mesada’ que variava de R$ 20 a R$ 23 mil para supostamente fraudar licitações e favorecer grupo de empresas do setor de Tecnologia da Informação na Câmara.

Além dos agentes públicos, foram presos os empresários Denis da Maia, Karina Alves de Almeida, Franciele Aparecida Vasun e Jailson Coutinho, donos da Quality Sistemas, KMD Assessoria Contábil e Planejamento a Municípios e Vasum, acusadas de participação no suposto esquema.

Relatório que baseou a decretação da prisão preventiva narra, ainda segundo o Diário MS, que a suposta organização criminosa atuaria em outras 30 Câmaras Municipais e pagariam propina para cerca de 100 vereadores de Mato Grosso do Sul e outros estados.

Vereadora denunciou

As diligências tiveram início, segundo o Diário MS, quando a então vereadora Virginia Magrini (PP) procurou o MP-MS (Ministério Público Estadual), em 2014, para denunciar suposto esquema de fraude em licitações na Câmara.

Ouvida várias vezes, ela teria fornecido detalhes do esquema e da suposta distribuição de propinas entre os vereadores presos. Virgínia contou que o empresário Denis Maia entregaria pessoalmente a propina ao então presidente Idenor Machado.

A partir das denúncias, somadas ao depoimento de outro servidor da Casa, o MP-MS passou a monitorar os acusados, com filmagens e fotografias, que basearam o pedido de prisão preventiva. Somadas, as penas pelos crimes atribuídos aos parlamentares ultrapassam 20 anos de prisão. A investigação corre em sigilo. A reportagem não localizou a defesa dos acusados.

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