BO registrado por ‘Polaco’ implica assessor de Reinaldo em denúncia de propina

Zelito intermediou reunião de empresário com Sefaz-MS

Em janeiro deste ano, quando vazaram rumores de que alguém ligado ao primeiro escalão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) teria sido flagrado recebendo propina, José Ricardo Guitti Guimaro, o Polaco, procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência em que admite as conversas com os empresários autores da denúncia e ainda implica um assessor especial do Governo na suposta negociata.

Os registros na Polícia aconteceram quando eles teriam sabido que o escândalo poderia estourar com a exibição dos vídeos, e na sequência Sérgio de Paula, o principal acusado pelos empresários, foi exonerado do cargo de chefe da Casa Civil, como principal medida da Reforma Administrativa da gestão Azambuja. Os tais vídeos acabaram não aparecendo e um deles se tornou neste domingo (28), em reportagem do Fantástico, da Rede Globo.

Flagrado em vídeo recebendo dinheiro que seria propina justamente para o ex-secretário da Casa Civil, Guitti registrou a ocorrência em uma delegacia especializada onde assuntos ‘de interesse institucional’ geralmente são tratados, pouco depois de ter sido gravado pelo empresário José Alberto Berger, dono da empresa Braspeli Comércio de Couros. Ele revelou que intermediou encontro do próprio Berger com o assessor especial de Reinaldo, Zelito Alves Ribeiro.

O Boletim, registrado no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a assaltos e Sequetros), foi assinado pelo então titular da unidade, Edilson dos Santos Silva. Mas ele afirmou à reportagem que não se lembra do registro. Todavia, o termo de declaração ao qual a reportagem teve acesso traz os dados reais de Polaco e Zelito.

No documento, Polaco diz que é corretor de gado e atua com troca de cheques e duplicatas. Ele ainda confessa à Polícia Civil de MS que intermediou um encontro de Berger com Zelito, este último, seu amigo e que também exercia a função de ‘coordenador regional’, sendo nomeado na extinta Casa Civil, sob comando do ex-secretário Sérgio de Paula (PSDB), com salário de R$ 10,4 mil.

Aos policiais, José Ricardo declarou que o empresário contou que havia perdido benefícios fiscais do governo, e que precisava de ajuda para reavê-los, logo pediu um encontro com Zelito, que ‘efetivamente’ passou a ‘atuar junto à Secretaria de Fazenda’ para ajudar Berger.

Entretanto, o empresário só teria conseguido reaver os incentivos, contou Polaco, não com a ajuda de Zelito, mas sim quando teria quitado débitos em atraso relativos ao Fundersul. Durante as negociações, o empresário começou a gravar as conversas.

Polaco ainda afirmou que como troca cheques, é comum, em sua atividade, ‘transações financeiras pagamentos e recebimentos diverso em dinheiro e em espécie’, e que ‘em nenhum momento exigiu ou recebeu nenhuma contrapartida financeira ou qualquer tipo de outra vantagem pela ajuda que solicitou a Zelito Ribeiro em favor de José Alberto Miri Berger’ (sic).

Pedido de Ajuda

Zelito também procurou a polícia no dia 4 de janeiro, e registrou um boletim de ‘Preservação de Direito’, ainda no Garras, com o mesmo delegado, que também não se lembrava do fato, no qual confirma que tentou ajudar o empresário dono do curtume a reaver os incentivos fiscais.

Ele confirmou que manteve conversas com o empresário, e admitiu inclusive que participou de um encontro na Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) na tentativa de ajudar Berger, mas diz que tal reunião teria sido ‘infrutífera’. Zelito também declarou que foi Polaco quem lhe apresentou o empresário, e que este conseguiu reaver os incentivos, mas ‘sem sua ajuda’.

Zelito foi procurado pela reportagem, mas no telefone fornecido por ele aos policiais a informação é que ele não estava e nem havia previsão de voltar. Já o número de celular que Polaco declarou aos agentes do Garras está desligado. O Whatsapp do contato revela que a última verificação do aplicativo no aparelho de José Ricardo foi feita no último dia 26 de maio às 14hs.

Delação JBS

Zelito também figura na delação de Wesley Batista, dono da JBS, que delatou a existência de um suposto esquema de pagamento de propina em troca de benefícios fiscais nos governos de Zeca do PT, André Puccinelli (PMDB) e do próprio Reinaldo Azambuja.

O assessor especial, também pecuarista, teria emitido, segundo a delação da JBS, notas fiscais frias no valor total de R$ 1,7 milhão, que favoreceriam Azambuja. Zelito também é irmão do prefeito de Aquidauana, o tucano Odilon Ribeiro.

A reportagem apurou que Polaco já teria trabalhado para Zelito, e que o José Ricardo já foi doador de campanha da atual vice-prefeita de Aquidauana, Selma Suleiman. (Colaborou Evelin Cáceres)

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