Afiados, candidatos fugiram de temas para se alfinetarem durante o debate

Debate teve uma hora e meia de discussões

Nem os familiares foram poupados pelos candidatos Marquinhos Trad (PSD) e Rose Modesto (PSDB) durante o debate do Jornal Midiamax, realizado nesta sexta-feira (21), das 21h20 às 23h. Ambos aproveitaram o tempo para trocar farpas e fugiram dos temas na maior parte dos tempos de respostas, partindo para o ataque pessoal.

A nove dias das eleições, os dois mostraram alguns dos pontos dos projetos de governo durante os blocos. Mas o embate familiar ficou evidente nas respostas.

Marquinhos Trad disse que poderá investigar possíveis irregularidades práticas por ex-prefeitos da Capital, incluindo seu irmão, Nelsinho Trad. Marquinhos citou os três últimos prefeitos da Capital, Nelsinho, Alcides Bernal (PP) e Gilmar Olarte, e disse que cada um deles responde por seus atos. Prometeu instalar controladoria municipal, coisa que ele diz que o governo tucano faria e não o fez.  “Prometeram não aumentar impostos e aumentar, prometeram 120 escolas de tempo integral, em dois anos fizeram duas escolas, espero que realize o restante”.

Ao falarem sobre funcionários fantasmas, Rose Modesto admitiu que seu sobrinho “errou” ao assumir uma vaga no Tribunal de Contas, aproveitando para criticar Marquinhos. “Se não era fantasma na Assembleia era aluno fantasma no Rio de Janeiro, porque não dá para estar nos dois lugares ao mesmo tempo (…) Meu sobrinho errou e recomendei que ele saísse do TCE, o que ele fez em 30 dias. Mas o senhor permanece na Assembleia há 30 anos".

Temas

Os candidatos debateram sobre Transparência, Saúde, Educação, Concurso Público, Habitação e Mobilidade Urbana. O primeiro tema sorteado foi Transparência. Marquinhos, o primeiro a perguntar, questionou Rose sobre uma investigação do CGU (Controladoria-Geral da União), na qual o governo estadual não teria aplicado R$ 3 milhões de recursos federais no combate à dengue, recursos que não consta no Portal de Transparência do Governo do Estado.

Rose afirmou que o governo de Reinaldo Azambuja (PSDB) gastou não só os R$ 3 milhões, mas um total de quase R$ 20 milhões em prevenção e combate à dengue. A tucana também destacou o repasse estadual de R$ 300 para os agentes de saúde que atuam no combate à dengue. Ela também disse que parte das verbas em publicidade do Estado foram revertidas para ações de saúde, de violência contra mulher e acidentes de trânsito.

A segunda pergunta foi feita por Rose sobre o tema habitação, que afirmou que o programa da prefeitura previa 0,3% do orçamento para o programa e que “o único programa de habitação do Bernal foi transformar uma favela em quatro”, questionando se Marquinhos faria diferente de Bernal. O candidato respondeu Rose também teria buscado “insistentemente e junto com o  governador”, ligando várias vezes para Bernal, mas que o mesmo não a apoiou porque Reinaldo não atendia as ligações do prefeito para ajudar Campo Grande. “Não fiz aliança, fiz parceria, não comungo com a forma de tratar habitação da gestão atual, fui secretário e reduzi déficit habitacional, eliminamos 117 núcleos de moradia subumanas, as chamadas favelas. Vamos delinear nosso programa de governo de habitação, desde regularização fundiária e reformular o cadastro a Emha, que é extremamente injusto aguardando um sorteio que até hoje ninguém. Vou inclusive buscar recursos com a senhora, que vai a que vai continuar como vice governadora, recursos para construir cinco mil casas e recursos do governo federal.

Rose Modesto negou que tenha procurado apoio de Bernal e pediu coerência política de Marquinhos. O candidato respondeu que Rose não estaria preparada para administrar a Capital por ela ter perguntado a ele quantas casas ele havia entregado. “Secretário não faz casa, faz planejamento e entrega ao Executivo”.

Rose questionou Marquinhos sobre o orçamento de 2017 enviado para Câmara pelo atual prefeito Alcides Bernal (PP). Com recursos a menos para educação.

Marquinhos lembrou que Rose fugiu do tema proposto, imposto. E respondeu sobre o aumento do IPVA, na gestão de Azambuja, “sem o meu voto, mas com todos os votos do PSDB”. Teve aumento o ICMS em 30% e sobre a inspeção veicular, acusou o governo de Rose ter cobrado 16 meses indevidamente. “E ainda cobrou a devolução do dinheiro. Aumentou o ITCD, desviou a finalidade do Fundersul. Cobrou e não devolve. Com relação ao planejamento, ele enviou, mas não votaram. Logo após a eleição, prometeu ir à Câmara e conversar com vereadores, e readequar o projeto, por não concordar com a redução do percentual a ser investido na saúde, para implantação de projetos como clinica da família e criação de um plano de cargos e carreiras para os servidores.”

Rose replicou que Marquinhos votou a favor do ITCD, “votou com o governo e foi vaiado na Assembleia. Momento difícil do país. Acha que o governo queria aumento fiscal, 19 Estados que não pagam servidor, que não fazem investimentos”, afirmou.

O clima entre eles voltou a esquentar quando o tema segurança pública foi citado. Marquinhos citou problemas da segurança no Estado, como aumento de roubos e imbróglio com o SIGO. A tucana ainda citou investimentos da gestão Azambuja na segurança pública. 

Marquinhos Trad questionou Rose Modesto sobre a promessa de governo de escolas em tempo integral, quantas teriam sido transformadas. Segundo o candidato, a promessa era de transformar 30% das unidades em de período integral, o que daria cerca de 120 escolas. Rose pediu para debaterem sobre Campo Grande. “Não sou candidata ao governo do Estado. Ontem avançamos a conversa com a Fetems, recebemos o maior salário do país nunca tive irmão trabalhando na Semed e nem sendo ordenador de despesa. Vamos fazer eleição direta para diretores, ampliar número de escolas em tempo integral, de forma organizada e escola com demanda menor de alunos construindo nas regiões mais violentas”.

Marquinhos afirmou que Rose estava negando que é vice-governadora do Estado. “Você faz parte do governo, se não respondeu vou responder. Em quase dois anos, apenas duas escolas foram transformadas em tempo integral. Das 116 escolas, que representam 30%, faltam 114 escolas em tempo integral. Com um pouquinho mais de dois anos, espero que aconteça”.

Rose perguntou a Marquinhos se ele for eleito prefeito em Campo Grande, após tantos ataques ao governador Reinaldo, como iria retomar essa relação com o governo tão importante para a cidade. Marquinhos disse nunca ter tido problemas de relacionamento político e que tratará o governo com respeito, que não vire as costas para a Capital porque o eleitor não optou pela candidata dele, porque ele é governador de todos. “Vou procurar deputados, senadores e relação de equilíbrio e altivez para construir Campo Grande diferente para que não se fale de votos para cassar, uma gestão absolutamente transparente. Afinal de contas, ajudei a ele e a senhora. Continue como vice-governadora para ajudar a cidade, em um relacionamento de paz e sustentação política”.

Rose respondeu que não recebeu apoio ao ouvir dele que era de “fundo de boate”. “Tenho origem humilde, tenho valores, cheguei onde estou com muito trabalho, diferente do senhor, que ganhou as coisas com muita facilidade. Mas com certeza o governador estará disposto a dialogar”. Marquinhos disse que nunca precisou dar direito de resposta e que a candidata teria ofendido a ele, esposa e filhas.

Considerações finais

Em suas considerações finais a candidata à Prefeitura de Campo Grande pelo PSDB, a vice-governadora Rose Modesto, começou afirmando que teve uma ‘caminhada difícil na vida’, e agradeceu ao Jornal Midiamax pela ‘oportunidade democrática’.

A tucana ainda agradeceu seu candidato à vice, Cláudio Mendonça (PR), e sua família. Ela destacou que galgou experiências na vida porque teve oportunidades, e que é possível criar oportunidades a todos os campo-grandenses com vontade política. Por fim, a vice-governadora criticou os gestores da Capital dos últimos 20 anos, que segundo ela não tiveram como prioridades coisas importantes para a população, como saúde, educação e segurança.

O candidato do PSD ao cargo de prefeito de Campo Grande, o deputado estadual Marquinhos Trad também agradeceu o Jornal Midiamax, e pontuou que se prepara disputar a prefeitura há 21 anos.

Marquinhos frisou que seu programa de governo, construído a partir de um projeto que ouviu eleitores, vai privilegiar a saúde pública, transformando postos de saúde em clínicas da família. Ele também disse que vai criar um Plano de Cargos, Carreira e Salários para os servidores municipais. Por fim, Trad também agradeceu sua família.