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Contabilidade ‘organizada’ em prostíbulo incriminou ‘Dani Gaúcha’, diz delegado

A mulher mantinha uma mansão luxuosa como local de prostituição

Fachada de onde funcionava a mansão | Foto: Arquivo Midiamax

Policiais da Deops (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social) apreenderam, na noite desta terça-feira (7), um vasto material que, segundo o delegado Paulo Sá, comprovaria como ‘Dani Gaúcha’ controlava a contabilidade do prostíbulo de luxo que funcionava no Itanhangá Park, bairro nobre de Campo Grande.

Sá informou que os registros mostram, “sem sombra de dúvidas”, que a mulher explorava sexualmente as garotas de programa que trabalhavam na chamada Mansão da Dani Gaúcha.

Segundo o delegado titular da Deops, Paulo Sá, o flagrante durou cinco horas e não restou dúvidas de que na mansão luxuosa localizada no Itanhangá Park funcionava uma casa de massagem. “Tudo estava bem caracterizado, tudo tinha uma contabilidade, tinha muita camisinha, tudo está bem materializado. A organização dela acabou pesando contra ela mesma porque isso aqui é muita prova”, disse Paulo Sá.

Dani deverá responder pelo artigo 229, por ‘manter estabelecimento onde ocorre exploração sexual’. A casa foi fechada na noite de terça-feira durante operação da polícia. A responsável pelo local ficou presa suspeita de exploração sexual e passará por uma audiência de custódia nesta quinta-feira (9).

O caso foi denunciado em uma reportagem pelo Jornal Midiamax na tarde de terça. Reportagem do Jornal Midiamax nesta terça-feira (7) revelou denúncia de moradores que acionaram o Ministério Público pedindo o fechamento do prostíbulo. Clientes de Dani Gaúcha confundiam casas dos vizinhos como a mansão.

A polícia informou, ainda, que, durante o flagrante, o marido de Dani chegou a aparecer na mansão, mas não foi preso. “Como não foi comprovado que ele participava dos lucros no local, ele foi liberado”, contou Paulo Sá ao Midiamax.

Lucro

‘Dani Gaúcha’, de 29 anos, que na verdade tem outro nome, não é considerada cafetina, porque conforme o delegado, não houve nenhuma comprovação de que ela cobrava porcentagem dos programas realizados pelas meninas, no valor de R$ 200 a hora.

O lucro de Dani acontecia através dos alugueis dos quartos, sauna, piscina e venda de bebidas alcoólicas para os clientes. Além de cobrar dos clientes, diz o delegado, Dani Gaúcha também cobrava das prostitutas pelos serviços utilizados.

Para usar o quarto do local, por exemplo, Dani cobrava uma taxa de R$ 50/hora dos clientes e também das profissionais do sexo. De acordo com o delegado, as prostitutas que trabalhavam no local atuavam como “freelancers” em diversas casas de prostituição na Capital.

Apreensões

Foto: Mariane Chianezi

Organizada com os lucros da mansão, Dani mantinha cadernos com anotações dos horários, disponibilidade dos quartos e o controle das prostitutas, bem como os clientes que com elas estavam.

Bloco de anotações também foram apreendidos pela equipe da Deops contendo detalhadamente os controles de quem estava usando sauna, piscina e as bebidas servidas nos quartos.

O controle era tão rígido que Dani mantinha calculadoras, cronômetros, fichas das portas e carimbo para comprovar o pagamento. Todo esse material, além de celulares, foram recolhidos e serão submetidos a perícia.

Toda a mansão passou por perícia e os materiais foram recolhidos. Um aparelho do sistema do circuito de filmagem do local também foi apreendido, mas o delegado afirmou que não havia câmeras nos quartos, apenas fora da casa.

Denúncia

Cansados do barulho, da movimentação anormal fora de hora e de terem suas residências confundidas por clientes que procuram uma ‘casa de massagem’ durante a madrugada, moradores de uma rua do Itanhangá Park recorreram ao Ministério Público Estadual (MP-MS) para pedir o fechamento do local.

Eles enviaram uma denúncia ao órgão argumentando que consta que o local teria um alvará de funcionamento para atuar como uma “clínica de estética e outros serviços de cuidado com a beleza”. No entanto, diz a denúncia, o local seria voltado para a “exploração da prostituição”.

A reportagem do Jornal Midiamax constatou que a chamada Mansão da Dani Gaúcha anuncia serviços de acompanhante em sites e negocia os serviços por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

Na tarde desta terça-feira (7), a responsável pelo local disponibilizou fotos de 30 mulheres diferentes, algumas posando de lingerie ou seminuas, que prestariam serviços sexuais a partir de R$ 200 por hora. Para o atendimento fora da mansão, é cobrada uma taxa extra de R$ 100.

Na denúncia enviada ao MP, foram anexadas publicações da suposta responsável pelo local, com detalhes do espaço, que é uma luxuosa casa com piscina, suítes e banheiras de hidromassagem espalhadas em cerca de mil metros quadrados.

Transtorno

A reportagem do Jornal Midiamax foi até o endereço localizado na área nobre e conversou com uma vizinha que preferiu não se identificar. Segundo ela, um transtorno muito grande acontece desde que o suposto prostíbulo se mudou para o local.

“Descobrimos que ali é uma casa de prostituição depois que viajei e minha filha ficou sozinha em casa. Ela me ligou uma vez desesperada falando que tinham quatro homens em frente da nossa casa de madrugada e interfonaram falando que queriam falar com a Dani”, disse a mulher.

Desde então, diz a mulher, os problemas só amentaram, pois  os clientes do local confundem as residências e insistem em bater no portão de sua casa em plena madrugada.

O barulho é outro incômodo constante. “Às vezes no começo da tarde é uma festa isso aqui. A rua lota de carros, é gente para todo canto. Minha família costuma realizar churrascos ou almoços nos finais de semana aqui em casa e por causa disso temos até medo de deixar o portão aberto e entrar algum desconhecido achando que está entrando ali [casa de massagem]”, relatou a moradora.

Em imagens das câmeras de segurança da casa da moradora, é possível ver pela data e hora, veículos e homens que se aproximam da casa por volta da 1h da madrugada nos finais de semana e interfonam para falar com a responsável pelo prostíbulo.

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