Maus motoristas? Pequenos obstáculos ‘travam’ o trânsito de Campo Grande

Medo, insegurança e outras situações acabam provocando congestionamento em vias da cidade

Muitos motoristas e motociclistas alegam que é quase impossível não se estressar no trânsito de Campo Grande. O principal motivo, conforme alguns condutores, é a falta de destreza ao se deparar com um obstáculo na rua.

Qualquer imprevisto parece ser o suficiente para tirar a concentração dos condutores, seja um semáforo estragado, um cone no meio da rua, um trecho em obras, por fim, o resultado é sempre o mesmo: uma longa fila de veículos e vários minutos perdidos no trânsito.

No início da manhã da última quarta-feira (18) um semáforo pifou na rotatória que dá acesso à Avenida Gury Marques. Como consequência o trânsito travou e, segundo motoristas, parecia que os condutores não sabiam o que fazer diante da situação. Um leitor do Jornal Midiamax registrou a longa fila de carros e afirmou que ficou pelo menos meia hora preso no congestionamento.

Levando em consideração que os motoristas tenham pelo menos um conhecimento básico de direção, por qual motivo ‘travam’ ao se deparar com um imprevisto?

Para o instrutor de autoescola Augusto Cyles Rezende, a insegurança e até mesmo o medo de provocar um acidente são algumas causas.

“Isso acontece muito nas rotatórias em geral. Nós passamos aos alunos, que independentemente da situação em que a rotatória se encontra, no que diz respeito ao fluxo, eles já têm que reduzir para a segunda marcha e entrar em segurança. Também orientamos para dar a preferência a quem já está na rotatória, mas na realidade é muito diferente, a gente se depara com motoristas buzinando e eu creio que a grande maioria é mal-educada”, afirma o instrutor.

Para o empresário Nilton César, alguns motoristas precisam voltar para a autoescola. “Já passei por diversas situações em que o trânsito ficou lento por causa da imprudência de outros condutores. O pessoal aqui não tem o costume de deixar a gente passar na frente, acho que alguns precisam voltar mesmo para a autoescola”, afirmou.

A motociclista Marilene Gonçalves da Silva concorda que o trânsito da Capital se torna caótico em algumas ocasiões, mas, não por culpa dela. “Sou uma ótima condutora, pois piloto há seis anos e nunca encostei em ninguém. Me considero muito cuidadosa, mas precisam mudar muita coisa para evitar essas situações de congestionamento e trânsito lento, falta atenção por parte dos motoristas e precisam sempre manter os semáforos arrumados”, diz.

O construtor Fábio Yamada afirma que dirige com cautela ao encontrar um semáforo estragado.

“Quando está no amarelo eu fico preocupado em passar e dou uma reduzida para atravessar. No horário de pico algumas pessoas ficam inseguras diante de um obstáculo e tem um outro fator que eu acho que não funciona, que é a faixa de pedestres, pois é a mesma incerteza. O pedestre vai passar, o motorista olha para trás, com a intenção de ver se o condutor de trás irá parar, e com o semáforo estragado acontece a mesma situação”, relatou.

Orientação do instrutor

Nos exames, a primeira coisa que falamos aos alunos é para que estejam atentos a pelo menos três quadras à frente. A ideia é ter tempo suficiente para desviar de qualquer obstáculo, caso apareça.

Outra orientação, se perceber qualquer situação de aperto ou congestionamento, redobre a atenção, independente se está em uma via de maior fluxo. Se deparou com qualquer tipo de movimentação tanto de pessoas quanto de veículos, já reduza a velocidade com bastante antecedência.

Conforme o instrutor, falta também um pouco de conhecimento, pois muita gente chega na autoescola e a primeira pergunta é: quando é a prova prática. “É uma questão de educação também, as pessoas chegam na autoescola e querem a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), não querem aprender regras. Se a pessoa pudesse pular etapas e já ir para a prova, iria. Falta atenção às coisas básicas”, afirmou Augusto.

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