Polícia

Até polícia de SP questiona grito de guerra de alunos da PCMS que zomba de escrivães

O vídeo em que alunos do curso de formação para investigador da Acadepol (Academia de Polícia) aparecem entoando ‘grito de guerra’, zombando de escrivães, pegou mal e gerou repercussão negativa até mesmo fora de Mato Grosso do Sul. Nesta terça-feira (09), o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) e o […]

Renan Nucci Publicado em 09/03/2021, às 18h00 - Atualizado em 10/03/2021, às 09h40

Imagem mostra alunos enfileirados durante grito de guerra. Foto: Divulgação
Imagem mostra alunos enfileirados durante grito de guerra. Foto: Divulgação - Imagem mostra alunos enfileirados durante grito de guerra. Foto: Divulgação

O vídeo em que alunos do curso de formação para investigador da Acadepol (Academia de Polícia) aparecem entoando ‘grito de guerra’, zombando de escrivães, pegou mal e gerou repercussão negativa até mesmo fora de Mato Grosso do Sul. Nesta terça-feira (09), o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) e o SindPF-SP (Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo) publicaram nota demonstrando preocupação com o caráter pejorativo do conteúdo, que foi amplamente divulgado nas redes sociais.

“Escrivão não é polícia e só sabe digitar, se tem guerra e terror é o tira [investigador] que vão chamar; oh escrivão não adianta; você pode até tentar; mas como um investigador você nunca vai vibrar; sua arma é o teclado, um carimbo e uma caneta; enquanto o investigador amedronta até o capeta”, cantam enfileirados os futuros policiais civis durante o curso em Campo Grande.

Na nota, as entidades paulistas afirmam que todas as carreiras da área de Segurança Pública cumprem papel relevante, em busca de uma sociedade mais segura. “É imperativa uma revisão de conduta desses investigadores em formação, que em seus estudos precisam assimilar o conhecimento acerca da importância do trabalho dos escrivães, assim como uma revisão das disciplinas, para que os novos policiais saiam da academia conhecendo o respeitando as atribuições de cada profissional da polícia”, dizem o Sindpesp e o SindPF-SP.

Giancarlo Correa Miranda, presidente do Sinpol-MS (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul) também emitiu nota e publicou um vídeo repudiando a canção. Segundo ele, a academia deve ser um ambiente que busque a união dos cargos e que nenhuma carreira policial pode ser ridicularizada. Disse ainda que o escrivão exerce papel fundamental, de grande contribuição para combate ao crime. “Existem hierarquias e cargos de chefia, mas nenhum policial é superior ao outro”, explicou Giancarlo, no sentido de que todos devem ser tratados de forma igual, independente da função exercida.

Ele lembra ainda que muitos dos investigadores que estão fazendo o curso na Acadepol, em breve estarão trabalhando em cidades pequenas no interior do estado, onde o efetivo é reduzido e o escrivão pode ser seu único colega. Daí a importância de uma boa relação para que o trabalho seja realizado com excelência. “Na rua, é o colega que guarda suas costas, por isso, os ensinamentos dentro da academia devem priorizar o companheirismo”, destacou.

A Polícia Civil disse que adotou medidas de caráter administrativo para apurar o ocorrido e ressaltou que todos os policiais são importantes. “ […]  a formação profissional de cada uma das carreiras que compõe o grupo Polícia Civil, reveste-se de importância ímpar e única, de modo que não há qualquer prevalência de relevância entre elas, mas diversidade de atuação, ressaltando a necessidade de que haja perfeita harmonia e respeito pelo trabalho desenvolvido por cada grupo profissional, desde o mais incipiente na função até o que detém maior tempo de atuação”.

Nota do Sinpol-MS

O Sinpol vem a público repudiar o conteúdo de um vídeo feito na Academia de Polícia e que está circulando nas redes sociais, o qual denigre o cargo de Escrivão de Polícia. O Sinpol não compactua com divisões dentro da Polícia Civil, inclusive reitera que existem projetos nacionais com a finalidade de unificação dos cargos.

Todos os cargos e carreiras da Polícia Civil devem ser valorizados e respeitados e a união de toda a categoria é fundamental.

“Acreditamos que o tom do vídeo ultrapassou os limites de bom senso e parceria com os profissionais Escrivães e exigiremos providências”, declarou Giancarlo Miranda.

O Sinpol representa, de forma igualitária, todas as carreiras policiais e ressalta que toda função é essencial para cumprimento da missão de servir e proteger a sociedade, não havendo o menos ou mais importante.

Nota da PCMS

A Delegacia Geral do Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, através da Academia de Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul – Acadepol/MS, órgão que há décadas é o responsável pela formação profissional dos cidadãos que ingressam em tão importante Instituição, pautada no compromisso de desenvolver tal missão em permanente e rígida observância aos preceitos de hierarquia, disciplina e respeito, atenta e diligente ao cumprimento de tais premissas, basilares e intrínsecas à sua existência como Casa de Ensino, vem a à público esclarecer que tão logo conhecido o conteúdo de vídeo, onde acadêmicos do curso de formação para Investigadores de Polícia, teriam proferido mensagem de cunho ofensivo à carreira de Escrivães de Polícia, adotou todas as medidas de caráter administrativo cabíveis para completa elucidação da autoria de tais fatos e eventuais penalidades.

Nesse diapasão, esclarece que a formação profissional de cada uma das carreiras que compõe o grupo Polícia Civil, reveste-se de importância ímpar e única, de modo que não há qualquer prevalência de relevância entre elas, mas diversidade de atuação, ressaltando a necessidade de que haja perfeita harmonia e respeito pelo trabalho desenvolvido por cada grupo profissional, desde o mais incipiente na função até o que detém maior tempo de atuação.

Sobretudo, a atuação da Acadepol é focada na observância das diretrizes basilares que permeiam as qualidades a serem observadas (e exigidas) a todo aquele que deseja integrar as fileiras da Polícia Civil, dentre as quais, destaca-se o fomento ao respeito profissional entre as diversas categorias que a compõe, sem o qual, não há como prosperar a coesão do Grupo, necessária ao êxito da missão de Servir e Proteger à Sociedade.

Deste modo e visando velar por tais princípios, permanecerá agindo com vistas à intransigível manutenção dos alicerces morais e de respeito que baseiam a existência de nossa Secular Instituição, de modo que quaisquer tentativas em sentido contrário, serão objeto de firme resposta, baseada na legalidade e obediência aos preceitos éticos e morais que norteiam as atividades a cargo da Acadepol/MS.

Nota dos sindicatos de São Paulo

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo – SINDPESP e o Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo – SINDPF-SP manifestam grande preocupação com o conteúdo de um vídeo divulgado nas redes sociais, em que investigadores de polícia em formação na Academia de Polícia do Mato Grosso do Sul cantam uma música com conteúdo pejorativo e que ofende a carreira dos escrivães de polícia.

Todas as carreiras da área de Segurança Pública cumprem papel relevante e trabalham complementarmente com o objetivo de termos uma sociedade segura.

É imperativa uma revisão de conduta desses investigadores em formação, que em seus estudos precisam assimilar o conhecimento acerca da importância do trabalho dos escrivães, assim como uma revisão das disciplinas, para que os novos policiais saiam da academia conhecendo o respeitando as atribuições de cada profissional da polícia.

Por fim, a postura militarizada dos alunos presentes no vídeo em nada condiz com o que se espera dos futuros investigadores, profissionais habilitados a agir com base em técnicas policiais e tirocínio, premissas basilares de uma investigação bem sucedida, que leve ao esclarecimento de crimes, resguardando a segurança da população e dos próprios policiais.

Jornal Midiamax