Vereador do PSDB ocupou área pública e terá que explicar barragem sem projeto em Campo Grande

Alvo da polícia na Operação Omertà, Ademir Santana teria feito açude em área de preservação que ocupou com chácara no Caiobá

O vereador de Campo Grande Delmondes (), candidato à reeleição e alvo da quinta fase da Operação Omertà, deflagrada neste mês, deve responder por suposto crime ambiental em área pública que ocupa onde mantém uma chácara, no bairro Caiobá.

Após o cumprimento dos mandados da Operação Omertà, no dia 7 de outubro, o local recebeu fiscalização de equipe da PMA (Policia Militar Ambiental). Moradores da região presenciaram as diligências, e dizem que os policiais teriam flagrado até um açude construído na área, que pertenceria ao Município de Campo Grande.

O vereador ocupou o local e teria feito a barragem em área de interesse ambiental sem qualquer tipo de autorização ou estudo de impacto ambiental. Ao Jornal Midiamax, admitiu que a área é da Prefeitura. Segundo ele, no entanto, haveria um processo de desafetação da área correndo desde 2011.

Crime ambiental e ‘proposta para a Prefeitura’

“Já fiz até uma proposta de compra para a Prefeitura”, relatou o vereador do . Sobre os flagrantes que podem apontar crime ambiental, disse que após a batida da PMA teria dado entrada no Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para a regularização.

Inicialmente, no entanto, ele disse à reportagem que nenhuma irregularidade tinha sido encontrada pelos policiais da Ambiental. Mas, a reportagem acionou a PMA.

Lá, após informar estar em ‘reuniões com o Imasul’, o responsável pela ocorrência da Polícia Ambiental confirmou que foi feito um pedido de regularização de barragem que está em área de preservação ambiental na chácara atualmente sob posse de Santana.

Confrontado novamente, o vereador mudou a versão. Disse que a obra ilegal teria sido realizada há décadas, antes mesmo de ele ocupar a área. “Não fui eu quem fez, só pediram para que regularizasse a documentação. Essa foi a irregularidade que encontraram”, admitiu o parlamentar.

Ainda de acordo com a PMA, o vereador foi notificado para entregar a documentação, que foi levada como área consolidada, e que a documentação será entregue ao órgão ambiental, que ira fazer essa avaliação e caso entenda que não seja área consolidada e houver crime, o vereador será autuado e indiciado.

Prisão negada na Operação Omertà

Os policiais chegaram à chácara do vereador do na quinta fase da Operação Omertà porque informações preliminares são de que estaria envolvido na negociação do imóvel onde verdadeiro arsenal de guerra foi flagrado.

Segundo as investigações, o parlamentar teria envolvimento com agiotagem no âmbito da Operação Omertà. Foi feito pedido de prisão contra , mas a preventiva foi negada pela Justiça. A decisão foi do juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, deferiu apenas pedido de busca e apreensão contra o político.

A participação dele veio à tona quando o (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) constatou que organização criminosa ligada a homicídios, também cometia crimes de caráter patrimonial, como exploração de jogos de azar, agiotagem, extorsão e receptação de veículos adulterados.

Durante as investigações foi descoberto que o vereador trabalhou como motorista dos chefes do esquema e teria participado do transporte de vítimas da agiotagem. Relatos apontam que ele supostamente teria coagido e ameaçado um casal devedor, dizendo que os levaria para ‘negociar’ com seus superiores.

No local, marido e mulher foram ameaçados com armas de fogo e até mesmo taco de beisebol por outros funcionários e pelos articuladores da organização. No entanto, no entendimento do magistrado não havia evidências que constituíssem a necessidade da prisão do agora vereador.

“[…] não ficou suficientemente evidenciada nos presentes autos a sua participação ativa nos delitos de extorsão armada, agiotagem e lavagem de dinheiro imputados aos demais investigados e objetos desta medida. O que não significa que não possa ter participado”, pontuou.

Para o juiz, o relato das vítimas sugere que Ademir apenas fez o transporte delas.

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