Saiu da novena e foi flagrado ao comprar R$ 1 mil em maconha

Traficante que abastecia alta sociedade permaneceu preso

Prisão em flagrante do traficante de 22 anos, que abastecia a alta sociedade de Campo Grande, foi convertida em prisão preventiva após audiência de custódia ainda no dia 7 deste mês, sexta-feira. Nos depoimentos, o usuário flagrado comprando R$ 1 mil em maconha contou que tinha acabado de sair da novena quando pegou a droga.

A prisão aconteceu na quarta-feira (5), após meses de investigação. Nos autos do processo, consta a data de junho de 2019 como quando os policiais da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) receberam a primeira denúncia anônima. A partir daí o rapaz foi acompanhado.

Carro usado pelo traficante também foi apreendido (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Após dois meses fazendo campana, os policiais conseguiram deter o rapaz em flagrante logo após fazer duas vendas de entorpecente e com droga avaliada em pelo menos R$ 30 mil armazenada em casa, além de R$ 7,9 mil provenientes do tráfico. As investigações apontaram que o lucro de mais de R$ 15 mil mensais da venda da droga teria permitido que ele comprasse o Honda Civic, que usava na entrega, e ainda reformasse a casa.

No depoimento oficial à polícia, o rapaz pontuou que ganhou o carro do pai e que a casa também era do pai. Assim, por não ter moradia fixa ou emprego comprovados, foi determinado pela juíza de Direito a conversão do flagrante em prisão preventiva. Até o momento não houve tentativa de habeas corpus.

O que disseram nos depoimentos

Os dois homens, flagrados comprando entorpecente com o traficante, foram levados para a delegacia e prestaram esclarecimentos sobre os fatos. Um deles foi visto comprando a droga no estacionamento de um supermercado, quando entrou no Honda Civic do rapaz, pegou a droga, pagou e saiu.

O usuário revelou que já tinha feito compras com o traficante outras 8 vezes e que o conheceu através de um amigo. O suspeito se apresentava com um nome falso, conforme ele informou. Ele o contatou por telefone, marcou o local de encontro e comprou R$ 600 em skunk, a chamada ‘supermaconha’. Em seguida ele saiu do carro e foi embora, mas acabou detido pelos policiais.

Já o outro usuário, flagrado no momento em que o traficante foi preso, contou que tinha comprado droga com ele outras três vezes e que naquela quarta-feira tinha acabado de sair da novena em uma igreja na Avenida Afonso Pena quando combinou de encontrar o traficante via WhatsApp. O suspeito foi até as proximidades da casa dele, onde ele entrou no carro e pegou R$ 1 mil em skunk.

Esta foi a primeira apreensão de THC puro pela Denar (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Assim que saiu, o usuário colocou a droga dentro do boné, que ele levava nas mãos. Foi feito o flagrante e todos os envolvidos foram levados para a Denar, onde o caso foi registrado. Os dois usuários contaram que os compradores do traficante eram pessoas de alto poder aquisitivo, da alta sociedade, já que a droga era ‘diferenciada’, de melhor qualidade, e mais cara.

Na casa do traficante, que vive com a esposa e a filha de apenas 4 meses, mais drogas como THC (Tetraidrocanabinol) puro, LSD (Ácido Lisérgico) e haxixe foram apreendidos. Na residência também foi encontrado quase R$ 8 mil em espécie. O rapaz chegou a dizer aos policiais que não sabia quanto dinheiro tinha na residência e os valores estavam espalhados em vários locais da casa, até mesmo dentro de uma almofada no sofá da sala.

Foi constatado que ele encomendava a droga, que é importada dos Estados Unidos, de um vendedor em São Paulo. O entorpecente chegava em Campo Grande por meio dos Correios. Segundo a polícia, toda a droga apreendida com o traficante seria vendida em aproximadamente uma semana, já que ele tinha os compradores pré-estabelecidos.

No depoimento, o rapaz ainda chega a dizer que tinha começado a vender a droga fazia apenas uma semana, fato contradito pelos compradores. Ele responderá por tráfico de drogas.

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