Trio preso com arsenal é transferido e advogado teme contato com membros do PCC

Os três estariam em cela de uma delegacia em Campo Grande

Homem de 38 anos, proprietário da fazenda onde arsenal de guerra foi apreendido no domingo (9), o sobrinho de 25 anos e outro homem de 28 anos foram transferidos para Campo Grande após a prisão em flagrante. Eles foram detidos em Ponta Porã, a 346 quilômetros, após o armamento ser descoberto durante abordagem.

Na tarde de segunda-feira (10), advogado dos três réus afirmou que eles não passaram por audiência de custódia nas 24 horas após a prisão e que não foram localizados pela defesa. Informado de que o trio seria transferido para Campo Grande, o advogado informou que “os investigados temem por sua segurança e integridade caso colocados em contato com integrantes da facção criminosa conhecida como PCC”.

Algumas horas depois, a defesa teve conhecimento que os réus foram encaminhados para cela do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), em Campo Grande. A transferência para a especializada pode ter ocorrido uma vez que a polícia suspeita que o armamento de guerra apreendido com o trio seria usado em roubo a agências bancárias.

Apesar de site de notícias paraguaio vincular o trio ao PCC (Primeiro Comando da Capital), além da informação prestada pelo advogado, pontuando que o contato dos réus com membros de tal facção ofereceria risco à integridade deles, há nos autos de prisão suspeita de que sejam pertencentes à facção rival, Comando Vermelho.

A polícia pede expressamente que a prisão em flagrante dos acusados seja convertida em preventiva, garantindo a segurança pública. “É de se ter em mente que a organização criminosa demonstrou ter conexões junto ao Estado do Rio de Janeiro, sobretudo em razão de [um dos réus] ser oriundo daquela localidade e morador do denominado ‘Complexo do Alemão’, onde se tem intensas investigações acerca da organização criminosa Comando Vermelho”.

Até o momento não constam depoimentos dos três envolvidos, que devem passar por audiência de custódia via videoconferência, já que a prisão foi feita em Ponta Porã. São crimes pelos quais eles responderão posse irregular de arma de fogo de uso permitido, posse irregular de arma de fogo de uso restrito, na qualidade de possuir artefato explosivo, integrar organização criminosa e aumento da pena se na atuação da organização criminosa houver emprego de arma de fogo.

Um dos réus ainda deve responder por lesão corporal dolosa e resistência, já que a princípio teria agredido um policial do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) durante os procedimentos na propriedade rural.

Prisão e apreensão do arsenal

Grupo estava na SW4 quando foi abordado (Foto: Divulgação)

Os policiais abordaram o grupo que estava a bordo de uma caminhonete Toyota SW4 blindada, trafegando pela BR-463. Durante conversa, os suspeitos entraram em contradição várias vezes e não conseguiram explicar aos policiais o motivo pelo qual estavam juntos e o que faziam na região.

Depois de longa conversa, o grupo aceitou mostrar a fazenda aos policiais. O carioca de 28 anos propôs ir dentro da viatura, mas sem algemas, tendo em vista que o diálogo até aquele momento, apesar de suspeito, estava dentro do normal. A equipe aceitou e, ao entrar na fazenda, o homem atacou o policial que dirigia a viatura, agarrando-o pelo pescoço, fazendo com que ele perdesse a arma e o coldre.

Ambos entraram em luta corporal até a parte de fora do veículo. A outra viatura chegou logo em seguida e ajudou a imobilizar o indivíduo. O homem foi algemado e preso. Os outros dois se mantiveram calmos, mas os policiais solicitaram mais reforços. Quando eles estava se aproximando da sede. O dono da fazenda disse para os policiais tomarem cuidado, pois lá haverá dois seguranças armados com AK-47.

Por este motivo, os policiais foram a pé, sem fazer alarde e, ao se aproximarem, avistaram dois homens armados com pistolas. As equipes tentaram abordá-los, mas eles fugiram e abandonaram as armas, além de uma AK-47 e uma carabina 9 milímetros, que estavam prontas para uso. No corredor principal foi localizado armário com todo o arsenal, incluindo emulsão de explosivo com cordel detonante e 120 gramas de maconha. Também foram achadas algumas malas soterradas em uma clareira, com mais armamentos.

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