Operação no RJ pode marcar ‘falência’ do CV e mudar guerra com PCC pela fronteira em MS

Facções se uniram para execução de Rafaat em 2016, mas depois entraram em guerra pelo controle da fronteira

Narcotráfico, tráfico de armas tanto nacionalmente como internacionalmente, milhões em circulação e lavagem de dinheiro com utilização de empresas laranjas são esquemas usados por organizações criminosas que são alvos constantes de operações em todo o Brasil. Nesta quinta-feira (17), mais uma operação mirando esquema criminoso foi deflagrada e desta vez contra o (Comando Vermelho), que atualmente domina o Rio de Janeiro. Mandados foram cumpridos em Mato Grosso do Sul e podem falir a organização no Estado.

Após a execução de Jorge Rafaat em junho de 2016, quando o narcotraficante foi assassinado com mais de 16 tiros fuzis AK 47, Mag antiaérea e metralhadoras, as duas facções teriam se unido contra Rafaat para expandir o domínio, mas logo declararam guerra entre si para assumir o domínio deixado por Rafaat.

x PCC

Segundo membros das facções ouvidos pelo Jornal Midiamax, o teria de forma pacifica tentado entrar no Estado, mas acabou sendo barrada pelo PCC que passou a exterminar e afastar para longe seus membros. Atualmente o domina a área de Capitan Bado e o PCC a de Pedro Juan Caballero.

De 2016 até 2018 as duas facções entraram em guerra e até o núcleo de Jarvis Pavão que tentava se estabilizar na fronteira virou alvo do PCC, que executou vários membros de Pavão, sendo um deles a advogada Laura Casuso, de 54 anos, atacada com mais de 14 tiros no dia 12 de novembro, na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã. Laura chegou ao hospital com várias perfurações no abdômen, tórax, pescoço e membros superiores, causando lesões vasculares e múltiplas fraturas.

A guerra se intensificou depois de um ‘desacordo comercial’ entre PCC e , quando a facção criminosa PCC teria tentado dominar o estado do Rio de Janeiro, que era a ‘casa’ do Comando Vermelho. E com este desacordo ainda se deu o grande massacre em Manaus em 2019 onde 55 presos morreram. A Família do Norte teria se unido ao PCC para acabar com o . Antes Família do Norte era aliada ao para barrar a expansão do PCC, mas o acordo entre as duas facções terminou em 2018.

No entanto, o que se vê é uma queda do , que comandava o estado carioca, e o cenário com a entrada das milícias aponta para a ‘falência’ da facção criminosa que já pode estar pode estar decretada, com o avanço cada vez maior do PCC.

Combate ao PCC

Em Mato Grosso do Sul, a facção criminosa dominante é o PCC (Primeiro Comando da Capital), que usa do tráfico de drogas para a manutenção da facção e de seus membros e familiares que recebem até mesada quando são presos para não delatarem outros membros. A rota de distribuição da facção de drogas é para São Paulo, Rio de Janeiro e .

Nos últimos meses, várias operações tanto do Gaeco como da Polícia Federal, vem em ofensiva contra a facção que se expandiu no Estado. No dia 31 de agosto, dia do aniversário de 27 anos da facção, a PF deflagrou uma operação cumprindo 122 mandados de busca. Oito mulheres que eram usadas como ‘laranjas’ pela facção acabaram presas. Membros do PCC que tinham ‘missões’ de matar policiais, delegados ou ainda promotores recebiam uma mesada maior da alta cúpula da facção.

A Operação Caixa Forte II, cumpriu mandados em 19 estados, cerca de R$ 6 milhões foi apreendido na casa de um dos alvos, na cidade de Santos, em São Paulo. Dinheiro também foi apreendido no exterior. Segundo a Polícia Federal, quem determinava o valor das mesadas a serem distribuídas era a alta cúpula da facção, que hoje conta com mais de 30 mil membros.

No dia 28 de agosto, O Gaeco também deflagrou operação contra o PCC. A Operação Regresso cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá. Foram expedidos 34 mandados de prisão e busca e apreensão. Durante a operação, um membro da facção morreu em um confronto com a polícia. Cleyton dos Santos Medeiros de 30 anos, conhecido como ‘Doido’, membro da facção criminosa PCC foi morto a tiros em um confronto com policiais do Bope durante a deflagração da Operação Regresso. Ele estava armado e teria resistido à prisão.

Em julho, foram deflagradas a operação Ponto Cego e Flashback contra a facção criminosa que cumpriu mais 40 mandados.

Operação Rio de Janeiro

Foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) a segunda fase da Operação Overload deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) contra facção criminosa na lavagem de dinheiro usando empresas de fachada. São cumpridos mandados em Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina, além do Rio de Janeiro.

As investigações descobriram empresas de fachada que movimentaram cerca de R$ 200 milhões em um ano, com CPFs e CNPJs de laranjas. A operação mira a facção criminosa CV (Comando Vermelho) do Rio de Janeiro, que usa pessoas jurídicas na lavagem de dinheiro no Estado. Segundo informações, algumas dessas pessoas não teriam nem funcionários ou sede própria.

Ainda não se sabe quantos mandados são cumpridos em Mato Grosso do Sul, e nem se houve prisões. Uma das empresas alvos teria movimentado R$ 17 milhões tendo capital social de R$ 100. Ao todo são 28 mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 12 denunciados por um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro.

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