Nem pedido de juiz barrou ‘guerra’ de gangues em bairros de Campo Grande

Pedido feito há 5 anos não saiu do papel e briga entre gangues continua na região sul de Campo Grande

Não somente reivindicada por moradores que sofrem com uma ‘guerra’ entre gangues na região sul de Campo Grande, mas até a própria Justiça não teve uma resposta positiva da Segurança Pública de Mato Grosso do Sul. Há cinco anos, ofício com pedido de urgência para fortalecimento da segurança entre os bairros Dom Antônio, Parque do Sol e Los Angeles, foi feito pelo juiz Carlos Alberto Garcete, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

“Isso é uma reivindicação antiga para que não continuasse a ‘guerra’ na região, mas que nunca foi atendida”, destaca Garcete. O pedido foi feito no dia 24 de junho de 2015, em ofício expedido à Secretaria de Estado de Segurança Pública, onde Garcete solicitava, com urgência, o fortalecimento do policiamento preventivo na divisa entre os bairros Parque do Sol e Dom Antônio Barbosa. No ofício, o juiz sugeria ainda a instalação de uma base militar de pacificação na região.

A guerra entre os bairros vem desde 2014 e várias pessoas já foram feridas e outras assassinadas. Na região, os moradores contam que existem muitas bocas de fumo, o que poderia indicar uma guerra para o controle da região.

A solicitação, que já havia sido feita em outubro de 2014, levou em conta o elevado número de crimes contra a vida que chegaram às varas do júri da Capital, decorrentes de disputas entre gangues. O magistrado destacou que a situação perdura por mais de uma década. 

Garcete emitiu o ofício durante audiência referente ao processo sobre a morte de Issac Eleandro Virginio de Oliveira, 34 anos, e Lucas Vieira de Souza, 14 anos, em dezembro de 2011.

Mortes recentes e volta de gangues

Moradores consideram a morte de Higor dos Santos da Silva Victor, 20 anos, na última sexta-feira (6), no Parque do Sol, indício da volta de uma guerra entre ‘gangues’ dos bairros. A disputa teria voltado após a execução Ian Guilherme Ribeiro Bronzoni, conhecido como ‘Metralha’ ou ‘Puro Ódio’ do PCC.

Um morador, que não quis se identificar, contou que estava a poucos metros de onde Higor foi assassinado, quando viu um Chevrolet Corsa, de cor preta, passando e fazendo vários disparos na direção da vítima. Ele ainda contou ao Jornal Midiamax, que foram mais de 10 tiros, e que os atiradores não tinham um alvo específico atirando a esmo acertando a vítima, que morreu no local. Os suspeitos ainda não foram localizados.

Execução do ‘Metralha’

Ian Guilherme Ribeiro Bronzoni conhecido como ‘Metralha’ ou ‘Puro Ódio’ foi morto a tiros, na noite do dia 24 de fevereiro deste ano, em frente a uma igreja. Ele foi surpreendido por dois homens que estavam em uma motocicleta, sendo que o homem que estava na garupa desceu armado e fez os disparos contra Ian. Em seguida fugiram em direção ao bairro Dom Antônio Barbosa. Um dos tiros atingiu a cabeça de ‘Puro Ódio’, que foi socorrido para uma unidade de saúde do Coophavila. Ian acabou morrendo logo após dar entrada na unidade de saúde. Testemunhas contaram à polícia que um dos autores do crime seria Breno conhecido como ‘Zoio’.

Ian Guilherme tinha dois processos por tráfico de drogas, sendo que em janeiro de 2019 cumpria pena na Máxima pelo crime e de dentro do estabelecimento penal continuava a comandar o tráfico utilizando o WhatsApp para manter o comércio de drogas.

Em outro processo, Ian é citado em depoimento por ter participado do tribunal do crime de Joice Viana de Amorim, em maio de 2018. Ela foi encontrada morta decapitada, e com as mãos amarradas para trás, em uma estrada vicinal na região do bairro Santa Emília, em Campo Grande.

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