Mortes violentas sobem 6,2% com pandemia em MS, aponta anuário da segurança

Restrições por causa do coronavírus não foram suficientes para diminuir violência

Apesar das restrições de circulação de pessoas e toque de recolher por causa da pandemia do coronavírus (), o número de mortes violentas cresceu 6,2% em no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte do anuário brasileiro de segurança pública.

Conforme o levantamento, enquanto que em 2019 foram 258 mortes, no primeiro semestre deste ano foram contabilizados 274 registros de mortes violentas intencionais. Nessa categoria entram os crimes de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora.

“É um pouco surpreendente porque, embora os homicídios já estivessem em trajetória crescente desde outubro, com a pandemia era de se esperar que fosse interrompida, porque reduziu-se mobilidade, pessoas na rua à noite, em bares”, afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de .

Dos 274 casos registrados no primeiro semestre, 95% correspondem a registros de homicídios dolosos, que somam 261 ocorrências – aumento de 6,1% no período. Outros 10 casos são crimes de latrocínio – aumento de 42,9%, e os 3 restantes são de lesão corporal seguida de morte – redução de 40,9%. Vale ressaltar que MS registra as mortes decorrentes de intervenção policial como homicídio doloso.

Tendência de queda interrompida

Em 2019, registrou número menor de pessoas vítimas de mortes violentas, conforme o anuário anterior. No ano passado, o estado teve redução de 9,8% no número de vítimas desses crimes.

Apesar de 2018 registrar alta no número, o ano de 2017 também teve queda de 9,1%.

Mortes violentas sobem 6,2% com pandemia em MS, aponta anuário da segurança

Queda de roubos

Por outro lado, as restrições de circulação surtiram efeito nos crimes de roubos, que tiveram queda de 27,2% em . Conforme o levantamento, foram 2.828 casos registrados no 1º semestre de 2020 contra 3.885 registros no mesmo período do ano passado.

O número de roubos a veículos teve queda, de 287 para 217 casos, de comércio também reduziram de 197 para 167 casos no período analisado. Outro crime que teve redução significativa foi o roubo a pedestres, que caíram de 3.882 para 2.248 registros.

Entretanto, o número de furtos de veículos registrou alta, passando de 1.521 para 1.633 casos.

“A pandemia afetou os indicadores de furto e de roubo, mas não dos casos de crimes contra a vida. O Brasil dormiu no ponto, pois tínhamos uma redução dos homicídios e parece que perdemos esta janela de oportunidade de reduzir a violência”, declarou o professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em segurança pública, Rafael Alcadipani.

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