‘Já estou mais morta do que viva’, diz mãe de menina de 12 anos acorrentada pelo pai

A menina foi acorrentada após dizer aos pais que estaria grávida

Diarista de 43 anos, a mãe da menina de 12 anos que foi acorrentada pelo pai no sábado (4) após fugir de casa, conversou com o Jornal Midiamax sobre o ocorrido. Desolada e já sem saber o que fazer em relação a menina, ela relatou que a filha há pelo menos três anos tem tido problemas nas escolas pelas quais passou e em casa, além de já ter histórico de fugas.

A mulher decidiu contar sua versão da história e relatou que a filha desde os 9 anos apresentou problemas na escola e em casa. Com essa idade ela começou a faltar nas aulas, enquanto a mãe trabalhava. Na época ela ficava aos cuidados da irmã mais velha, que ao notar que o caderno da escola não tinha anotações, procurou a direção do colégio. Na diretoria, descobriu que a menina mentiu que a mãe dela tinha sofrido um acidente e estaria em cadeira de rodas para poder faltar às aulas.

Desde então houveram problemas no relacionamento dos pais com a menina. O último caso terminou com a prisão do pai, pedreiro de 32 anos. A mãe afirmou já não saber mais o que fazer e ainda contou que já procurou ajuda no Conselho Tutelar do Aero Rancho diversas vezes, mas nunca teve qualquer orientação e até mesmo já chegou a ser ironizada por causa da filha.

Além da menina de 12 anos, ela tem com o atual marido um menino de 12 anos e uma menina de 7 anos. Ela também tem filhos de 23 e 25 anos de outro casamento. “Sempre trabalhei para dar tudo para meus filhos”, contou. A mãe da menina contou que por várias vezes a filha fugiu de casa e que chegava a ficar um ou dois dias fora até reaparecer na casa da avó, no São Conrado, ou ser encontrada na rua, pedindo comida em casas e dizendo que passava necessidades.

Versão da família

A diarista contou ao Midiamax que a menina fugiu na sexta-feira (3) e quando voltou para casa contou que estava grávida. O pai se alterou, mas a mãe começou a questionar a filha sobre como ela sabia que estava grávida. O fato acabou desmentido quando a menina disse que fez um teste no posto de saúde, já que o posto teria acionado o Conselho Tutelar e a família caso ela estivesse grávida.

Mesmo assim a menina teria ‘provocado’ os pais falando sobre o suposto namorado que a teria engravidado. Ela chegou a falar sobre a aparência e detalhes da identidade do rapaz e da casa onde ele moraria, no São Conrado. Como a mãe conhece o bairro, já que é onde a mãe dela mora, sabia que tal casa não existia. Mesmo assim o pai quis procurar a residência e o rapaz que poderia ter engravidado a menina de 12 anos.

A mãe então disse que a filha estaria armando uma ‘casinha’ para eles e que fugiria de novo assim que eles saíssem, quando o pai a acorrentou. Os pais saíram de moto e a menina, que estava com um alicate escondido nas roupas, conseguiu se livrar. O irmão de 13 anos chegou a pedir para a menina não fugir e contou para a mãe que viu ela se auto lesionando com a corrente para tentar incriminar os pais.

Alicate que teria sido usado pela menina (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Quando os familiares voltaram para casa, descobriram a fuga e acabaram encontrando a menina na rua, quando o pai a levou até o pelotão do Coophavila II da Polícia Militar. Ele acabou preso em flagrante por cárcere privado e lesão corporal. Nesta ocasião o Conselho Tutelar foi acionado e esteve no local. “Agora que chegou a este ponto, quero saber se eles vão tomar alguma providência”, disse a mãe ao Midiamax.

Problemas na escola

“Já estou mais morta do que viva”. A frase da mãe da menina de 12 anos foi dita enquanto ela contava as histórias da filha, que só em 2019 teria tido mais de 400 faltas em aulas na escola. Bastante abalada, a mulher diz não saber mais o que fazer e já tentou de todas as formas obter ajuda, até mesmo junto ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul para colocar a filha em um colégio agrícola.

Em uma das escolas a própria diretoria teria procurado a mãe e dito que ela não voltasse mais ao colégio, porque teria arrumado problemas com alunos faccionados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e poderia até ser assassinada. A mãe contou também que algumas das vezes que a filha foge é encontrada em boca de fumo, mas nunca a viu usando entorpecentes.

Só no último ano a menina teria passado por três colégios. Com o histórico problemático, a mãe agora espera que tenha alguma ajuda para tratar da menina. O caso de possível agressão e cárcere será investigado pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

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