Jogo do bicho movimentaria mais de R$ 1,2 milhão em Campo Grande e envolvia 500 subempregos

Na operação Black Cat, foram lacradas 60 bancas nesta quarta-feira (23)

Com uma movimentação financeira de mais de R$ 1,2 milhão por mês, as bancas de jogos do bicho que foram alvos de 4º fase de Operação Omertà, denominada Black Cat, foram fechadas nesta quarta-feira (23) e 60 bancas que acabaram lacradas por agentes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros).

Antes de serem lacradas na operação, o jogo estava sendo negociado com o Rio de Janeiro e a polícia suspeita que o jogo do bicho estaria ligado ao financiamento de atividades ilícitas investigadas nas fases anteriores da Operação Omertà, servindo de base financeira para a organização, que com o dinheiro pagava seus integrantes envolvidos em diversos crimes.

Dinheiro rápido e fácil, donos de bancas relataram os ganhos com as apostas. Um dono de banca, que não quis se identificar, em conversa com o Jornal Midiamax disse que em casos de bancas menores, por semana girava cerca de R$ 500 em apostas o que em um mês geraria R$ 2 mil, mas em bancas maiores por semana chegava-se a um lucro líquido de R$ 300 mil, o que por mês seria em torno de R$ 1,2 milhão, números que a polícia teria tido acesso.

Com ação da polícia nesta quarta (23), aproximadamente 500 pessoas entre coletores das apostas –os motoqueiros – e anotadores ficaram sem trabalhar nesta quinta-feira (24), já que a polícia continua com a operação lacrando as bancas. Na cidade seriam cerca de 300 bancas do jogo do bicho.

Um subemprego, já que o jogo do bicho é ilegal, mas os que trabalhavam nesse setor afirmam que recebiam auxílio de bicheiros em caso de doenças ou ‘apertos’.

Primeira ação

A primeira ação do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros) há pouco menos de dois meses encontrou uma barraca de jogo do bicho que ficava logo atrás da delegacia.

Assim, foi localizada uma espécie de central de recolhimento do bicho, onde funcionava uma oficina de fachada no . Um dos responsáveis teria passado no local após ser alertado e conseguiu fugir com o dinheiro. Mesmo assim, anotações e talões acabaram apreendidos.

A Operação

A Black Cat, 4º fase da Operação Omertà, precisou ser antecipada, já que houve vazamento de que a operação seria realizada. Assim, responsáveis pelas barracas acabaram avisando via WhatsApp para que os outros fechassem as barracas por pelo menos 10 dias e parassem as vendas. Então, como havia equipes do Garras nas ruas, foi determinada a antecipação da operação, que lacrou 60 bancas do bicho nesta quarta (23). A ação deve continuar até que todas as bancas sejam lacradas.

Outros pontos de venda de jogo do bicho também serão mapeados pela operação. Segundo informações o que for atividade mista, com venda de revista será fiscalizado e poderá ter o alvará cassado. Já em relação ao Pantanal Cap, o que estiver em acordo com as normas continuará com suas atividades, mas se forem flagrados vendendo jogo do bicho serão lacrados. Durante a operação cerca de 15 pessoas foram levadas para a delegacia, onde assinaram um TCO e foram liberadas.

Quarta fase da Omertà

Esta é a quarta fase da Operação Omertà, que teve a primeira fase deflagrada no dia 26 de setembro de 2019, há um ano. Desde então, várias pessoas já foram presas. Na terceira fase, deflagrada em 18 de junho, foi cumprido mandados contra o delegado Márcio Shiro Obara, ex-titular da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios), que acabou preso.

Também foi cumprido mandado de busca e apreensão contra um investigador da Polícia Civil de MS, Célio Rodrigues Monteiro, que também foi detido, além de buscas no interior.

Além disso, os presos teriam ligações com Jamil Name. O empresário está detido na penitenciária federal de Mossoró, no , desde a primeira fase da Omertà.

O jogo do bicho

O jogo do bicho surgiu em 1892, quando o barão João Batista Drummond teve uma ideia para atrair visitantes a seu em Vila Isabel, zona norte do Rio. O local tinha espécies exóticas e belas vistas da cidade, mas faltava público. Entre as novas sugestões de entretenimento para o local, uma se destacou: uma rifa.

Pela manhã, o barão escolhia um animal em uma lista de 25 bichos e colocava sua imagem numa caixa de madeira na entrada no zoo. Quem participava ganhava um tíquete com uma estampa de algum desses 25 animais.

Ao final do dia o barão abria a caixa e mostrava a figura. O vencedor levava 20 vezes o valor da entrada – o que já superava, por exemplo, a renda mensal de um carpinteiro da época.

A loteria foi batizada de jogo de bicho e logo virou febre – bilhetes começaram a ser vendidos não apenas no , mas em lojas pela cidade. A repressão não demorou – autoridades criminalizaram a atividade ainda no final dos anos 1890, pelo bem da “segurança pública”. (Fonte BBC News)

Jogo do bicho movimentaria mais de R$ 1,2 milhão em Campo Grande e envolvia 500 subempregos
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