Traficante preso confessa que é ‘disciplina’ no Caiobá e ajudou matar rival do PCC

Ele confessou participação em tribunal do crime ocorrido em 2019

Na manhã de quarta-feira (12), foi preso homem de 30 anos, apontado pela polícia como responsável pela distribuição de drogas para o PCC (Primeiro Comando da Capital) na Nhanhá e na região da antiga rodoviária em Campo Grande. Ele ainda é investigado e confessou participação na morte de Maykel Martins Pacheco, de 19 anos, assassinado em dezembro de 2019 em tribunal do crime da facção.

Segundo apurado pelo Midiamax na época, o traficante já era investigado sob suspeita de ter levado Maykel até o local em que ele foi morto pelos faccionados. Ele já era apontado pela polícia como um dos principais fornecedores de drogas do PCC, morador no Caiobá, e recentemente teve o mandado de prisão expedido pela Justiça.

Na quarta-feira, os policiais conseguiram cumprir o mandado e ainda prenderam o suspeito em flagrante por tráfico de drogas. Com ele foram encontradas 44 porções de pasta base de cocaína e ele ainda tentou partir para cima dos policiais civis no momento da prisão.

Mandado e prisão em flagrante

Os policiais civis foram até a casa em que o suspeito estava e bateram na porta, dizendo “Abre, é a Polícia”. Em seguida ouviram barulho de algo quebrando e precisaram arrombar a porta para entrarem. O suspeito arremessou o celular contra um dos policiais e partiu para cima dele, precisando ser imobilizado, pois estava bastante agressivo. Na casa foi encontrada a droga, que totalizou aproximadamente 550 gramas de pasta base de cocaína.

Preso, ele confessou que vende o entorpecente para o PCC, abastecendo a região central de Campo Grande. No depoimento, o réu afirmou que começou a vender drogas há aproximadamente seis meses e que entrou na vida do crime “por curiosidade”. Ele ainda disse que quebrou o celular para que os policiais não vissem conversas com a esposa, que pudessem comprometê-la.

Por fim, ele contou sore a morte de Maykel, dizendo que no Caiobá é disciplina do PCC, que a função é ajudar a ‘quebrar’, ou seja, agredir fisicamente para não deixar “a gurizada ficar roubando”. Já no Nhanhá ele é ‘companheiro’, simpatizante, e não é batizado pela facção. Confirmando participação no homicídio, ele revelou que no dia do sequestro de Maykel seguiu de motocicleta, acompanhando o carro em que a vítima estava até uma cantoneira, uma casa que servia como cativeiro.

O suspeito afirmou não lembrar todos que estavam presentes, mas revelou o nome de alguns envolvidos. Disse ainda que a motivação do crime teria sido porque ele tinha ouvido Maykel dizer que era simpatizante do Comando Vermelho, facção rival ao PCC. Na ocasião, Maykel disse que estaria na Nhanhá para descobrir onde “os irmãos” moravam, para informar o Comando Vermelho e matar os membros do PCC.

No cativeiro, o preso recorda que Maykel pedia uma oportunidade. Ele foi embora do local por volta das 22 horas e quando voltou às 6 horas do dia seguinte, os outros autores saíram no Palio vermelho com Maykel, sendo que ele acompanhou na motocicleta. Eles foram até uma estrada vicinal onde ocorreria a execução e ouviu os dois disparos de arma de fogo, mas não viu o momento dos tiros.

Por fim, ele afirma que chegou a ver Maykel correndo e depois ele e um dos autores caindo no matagal. Ele não ouviu mais tiros e afirmou não saber o que aconteceu. Um carro teria passado pelo local naquele momento e todos fugiram. Não há detalhes sobre o local onde o corpo de Maykel foi deixado, já que até o momento não foi encontrado.

Mesmo sem a prova material, ou seja, o corpo da vítima, os envolvidos foram denunciados. Além do último preso nesta quarta-feira, permanecem detidos pelo crime ales Valensuela Gonçalves, de 22 anos, Iago Gustavo Ribeiro Bronzoni, de 20 anos, Márcio Fernandes Feliciano, de 40 anos e Everson Silva Gauna, de 20 anos.

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