Exposedcg: vítimas denunciam agressores e estupradores de Campo Grande no Twitter

Já foram mais de 7 mil postagens sobre o assunto

Na noite de segunda-feira (1º), relatos de moradores em Campo Grande chegaram aos Trending Topics Brasil no Twitter. Exposedcg é a tag usada para que os campo-grandenses vítimas de estupro e abusos exponham os agressores nas redes sociais e chegou a ficar entre os assuntos mais comentados no país.

Aproximadamente às 18 horas de segunda-feira, uma usuária do Twitter postou “gente vou começar o # pois já passou da hora de abusadores dessa cidade serem minimamente responsabilizados”. A partir dali, relatos de mulheres, homens, adolescentes e adultos vítimas de abusos sexuais começaram a tomar conta da rede social.

Os relatos foram postados diretamente por usuários da rede social ou por pessoas que enviavam mensagens para essa usuária, contando como foram vítimas dos crimes. Ela postou vários relatos de vítimas de forma anônima, algumas com nomes dos agressores e outras omitindo também quem eram esses criminosos.

Foram contados crimes cometidos por professores de colégios em Campo Grande, colegas de sala, amigos, familiares, vizinhos, pessoas conhecidas da cidade, donos de estabelecimentos comerciais, fotógrafos e também desconhecidos. São relatos de vítimas que passaram pelo abuso e na maioria das vezes não tiveram coragem de denunciar o caso à polícia.

Exposedcg: vítimas denunciam agressores e estupradores de Campo Grande no Twitter
Vítima enviou relato para ser postado anonimamente na rede (Reprodução, Twitter)

Uma rede de apoio também foi criada, com postagens de pessoas pedindo que sejam avisadas, caso sejam amigas dos agressores das vítimas. Na segunda-feira, foi divulgado o Mapa do Feminicídio, com dados sobre os crimes contra as mulheres, onde foi apontado que em 2019, a cada mês 130 mulheres registraram boletim de ocorrência por estupro em Mato Grosso do Sul.

Os números ainda apontam que das 1.562 vítimas que denunciaram crimes de estupro em 2019 no Estado, 788 foram crianças de 0 a 11 anos, 646 eram meninas na fase da adolescência e 127 foram mulheres acima de 18 anos.

Denuncie

Exposedcg: vítimas denunciam agressores e estupradores de Campo Grande no Twitter
Deam fica localizada na Rua Brasília, no Jardim Imá (Arquivo, Midiamax)

Muitas vezes desencorajadas por terem medo do agressor ou por pensarem que as pessoas não acreditarão nos relatos, vítimas de estupro acabam não denunciando o caso à polícia. As delegadas Marília de Brito e Fernanda Félix, titulares da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) e da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) pontuaram a importância das vítimas denunciarem.

“A orientação é fazer a denúncia para que o autor seja punido e não repita suas ações”, pontou a delegada Marília, da Depca. Ela também ressaltou que o crime de estupro contra criança e adolescente só prescreve 20 anos após a vítima completar 18 anos. Nas postagens da tag # há relatos de vítimas que passaram por abusos em várias fases da vida.

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A Depca fica na Rua Dr. Arlíndo de Andrade, 145, no Amambaí

“Pode ser mais difícil a materialidade do crime, porque o vestígio incontestável do estupro é o material biológico, mas nada impede de instaurar um procedimento e investigar”, afirmou a delegada Fernanda, da Deam. Ela pontuou que a delegacia está à disposição para investigar, “de maneira imparcial, buscando a verdade e a justiça”.

A vítima que não puder ir até a delegacia, tem outros canais de denúncia, como a Devir, a delegacia virtual onde pode ser registrado o boletim de ocorrência. Uma outra forma de denunciar a violência contra a mulher é o Ligue 180 e também o Disque 100, para crimes contra crianças.

Outro lado

Na madrugada desta terça-feira (2), dois rapazes de 26 anos foram até a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. Um deles foi denunciado em postagens marcadas pela tag #, onde é acusado de abusar de várias meninas em boates de Campo Grande.

No boletim de ocorrência, não há relato dos rapazes negando os crimes, mas afirmam que não conhecem a pessoa que fez as postagens, já que o relato foi enviado anonimamente para a usuária do Twitter que teria começado a tag e que publicou. O caso foi registrado como preservação de direito.

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