Polícia

Exames mostram que bebê ferido não tem ‘ossos de vidro’, mas pais negam agressão

A Polícia Civil de Costa Rica, a 384 quilômetros de Campo Grande, ouviu na manhã desta sexta-feira (08) os pais do bebê de apenas dois meses que foi socorrido ferido, repleto de indícios de fratura pelo corpo. Eles negam agressões e afirmam que os ferimentos foram acidentais. No entanto, laudo médico aponta que a criança […]

Renan Nucci Publicado em 08/05/2020, às 15h29 - Atualizado em 09/05/2020, às 09h19

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A Polícia Civil de Costa Rica, a 384 quilômetros de Campo Grande, ouviu na manhã desta sexta-feira (08) os pais do bebê de apenas dois meses que foi socorrido ferido, repleto de indícios de fratura pelo corpo. Eles negam agressões e afirmam que os ferimentos foram acidentais. No entanto, laudo médico aponta que a criança não tem qualquer fragilidade nos ossos.

Segundo o delegado Cleverson Alves dos Santos, os pais mantiveram a versão dada na primeira vez em que foram ouvidos, na semana passada, quando a vítima recebeu atendimento médico. “Eles dizem que a fratura na perna foi causada pelo pai ao tentar mudar o bebê de posição no berço e que as fraturas da costela podem ter sido causadas no parto”, disse.

Ou seja, o relato dos suspeitos sugere que a criança teria algum tipo de fragilidade, porém, durante exames realizados no Hospital Universitário da Capital, a equipe médica incluiu no relatório que não havia nenhuma doença preexistente, como a osteogênese imperfeita, também conhecida como “ossos de vidro”.

O caso

Conforme apurado, no dia 4 de abril, o menino deu entrada na Fundação Hospitalar de Costa Rica, com fratura no fêmur da perna direita. Diante das suspeitas, os médicos acionaram o Conselho Tutelar que avaliou a situação e encaminhou o caso à Polícia Civil. Na ocasião, pai e mãe prestaram depoimento e afirmaram que o ferimento foi resultado de acidente doméstico. 

Segundo eles, o bebê chorava muito por conta de cólicas e o pai foi mudá-lo de posição no berço, para deixá-lo mais confortável. No entanto, ao virar o filho, ouviu um barulho vindo do osso da perna, informou a mãe e eles foram ao hospital, ocasião em que foi constatada a fratura. Para uma análise mais detalhada, o menino foi transferido para o Hospital Universitário de Campo Grande.

Em uma segunda avaliação, os médicos constaram que além do fêmur, o menino tinha fraturas em uma costela direita e em três costelas da esquerda. Tais lesões haviam sido causadas, aparentemente, por agressões mais antigas. Sendo assim, o menino foi tratado e enviado de volta para Costa Rica, onde encontra-se abrigado, longe dos pais.

O delegado Cleverson adiantou que vai encaminhar relatório a um médico legista e solicitar perícia, para saber se o movimento que o pai fez realmente era capaz de causar tais ferimentos. “De acordo com o resultado, teremos elementos para indiciar ou não o casal por lesão corporal dolosa”, explicou.

Jornal Midiamax