Apesar de condenação, PM envolvido com cigarreiros é transferido para a reserva

Processo disciplinar sobre expulsão tramita na Corregedoria-Geral

O segundo-sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Ricardo Campos de Figueiredo, foi transferido para a reserva, conforme publicação do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (19), assinada pelo diretor-presidente da Ageprev (Agência de Previdência Social de MS), Jorge Oliveira Martins.

Ricardo já foi lotado na Segov-MS (Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais) e em julgamento realizado no dia 17 de dezembro de 2018, foi condenado a 18 anos, dez meses e 11 dias de prisão por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O militar foi investigado e chegou a ser preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público Estadual, no âmbito da Operação Oiketicus, que desmontou esquema de contrabando de cigarro facilitado por policiais. Campos foi apontado como uma das cabeças da organização.

As investigações iniciaram em abril de 2017 e revelaram que policiais interferiam em fiscalização de caminhões de cigarros para que não ocorressem apreensões, além de adotarem outras providências para o êxito do esquema. De acordo com a denúncia do Gaeco, os cigarreiros agiam associados desde o início de 2015, estruturalmente ordenados e com divisão de tarefas.

Durante cumprimento de mandado na operação, Campos destruiu celulares que seriam apreendidos pelo Gaeco e foi preso por obstrução da justiça. Em dezembro de 2018, o segundo-sargento foi condenado e recorreu, conseguindo redução da pena em dois anos. Apesar da condenação, não foi expulso da corporação.

Em nota, a assessoria de imprensa informou que o processo disciplinar que definirá se Campos permanece ou não na PM segue em andamento na corregedoria. “Ainda que esteja na reserva remunerada terá sanções, uma vez que de acordo com nossa legislação, mesmo na reserva ele pode ser excluído da Corporação.Ocorre que ele fazia jus ao pedido de reserva remunerada proporcional e não há vedamento legal para que este ingresse na reserva, tendo seu processo, passado pela assessoria jurídica da Polícia Militar, PGE (Procuradoria-Geral do Estado) e Ageprev”, diz a nota.

Apesar de condenação, PM envolvido com cigarreiros é transferido para a reserva
Mais notícias