Agente da PRF e 2 líderes de cigarreiros em MS são condenados a 22 anos de prisão

Policial Wilson Luiz de Brito, o “Gordo” ou “Will”, Ângelo Ballerini e Valdenir dos Santos foram alvos da Operação Teçá

O juiz federal Luciano Tertuliano da Silva, da Vara Federal de Navirai –a 364 km de Campo Grande– condenou o policial rodoviário federal Wilson Luiz de Brito, além de Ângelo Guimarães Ballerini, o “Alemão”, e Valdenir Pereira dos Santos, o “Perna” ou “Fofão”, os dois últimos líderes dos cigarreiros investigados durante a , a 22 anos de prisão.

Além deles, Cleberson José Dias, o “Lulu”, recebeu pena de 12 anos e 8 meses de reclusão e pagamento de 360 dias-multa. Ele seria um dos coordenadores do esquema, controlando motoristas e olheiros e outros partícipes da quadrilha, além de efetuar pagamentos aos subordinados e negociar com policiais da região de Rio Brilhante e Ivinhema.

A ação julgada pelo magistrado federal envolve 4 fatos envolvendo o , acusado de afrouxar fiscalizações em rodovias federais para permitir a passagem de carregamentos de cigarros. Brito, tratado como “Gordão” ou “Wil” por outros investigados no esquema de cigarreiros, foi acusado duas vezes de receber R$ 160 mil para deixar de fiscalizar veículos da quadrilha.

A intervenção de Brito teria ocorrido entre os meses de junho de 2017 e junho de 2018, conforme o inquérito da Teçá, iniciada em 2017 pela Polícia Federal. Em duas das acusações, afirma-se que o teria recebido R$ 160 mil para permitir o trânsito de caminhões com cigarros paraguaios pela BR-163.

Ballerini, assim como Fábio Costa (o “Japonês” ou “Pingo”), Carlos Alexandre Goveia (“Kandu” ou “Zoio”) e Valdenir dos Santos seriam “patrões”, isto é, líderes do esquema criminoso, e teriam prometido ao as vantagens ilegais.

Fábio Costa, que recentemente foi preso em ação coordenada de autoridades brasileiras e do Paraguai em Salto Del Guairá, teria negociado diretamente com Wilson Brito o recebimento de propinas para “deixar de realizar ato de ofício”.

“Pingo” já foi extraditado para o Brasil, procedimento que espera ser finalizado logo em relação a “Zoio”.

Mais de 70 ações sobre s

Na sentença, o juiz desmontou alegações preliminares que tentavam tirar o julgamento do caso da Vara de Naviraí e de que houve cerceamento de defesa. Ele ainda destacou que informações levantadas até aqui sobre as várias organizações que atuam no s na região já motivam mais de 70 ações penais apenas sob sua jurisdição.

A sentença revela, ainda, similaridade na operação dos grupos. O da “Máfia do Cigarro” sentenciado por Tertuliano da Silva, especificamente, trabalhava com coordenadores para comandar os demais, olheiros e mateiros (que observavam a atuação de policiais) e batedores, que se antecipam à carga em outros veículos.

Mais gastos que recebimentos

As apurações contra o Wilson de Brito chegaram até seus gastos com cartão de crédito, que variaram de R$ 15,4 mil a R$ 20,2 mil mensais entre 2017 e 2019, bem acima dos R$ 8 mil que ele declarou receber como média salarial líquida durante depoimento.

As acusações também foram alicerçadas por declarações de Imposto de Renda. No ano calendário de 2019, referente a 2018, Brito informou valores recebidos de R$ 104,5 mil, mas gastou quase R$ 160 mil com o cartão de crédito. De 2017 a 2019, seu patrimônio descoberto teria superado os R$ 280 mil.

Ele ainda chegou a declarar posse de R$ 50 mil em espécie ao Imposto de Renda de 2017.

A sentença contra os réus abarcou crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, facilitação de contrabando e concurso material de crimes. Cleberson, para recorrer, deve manter as medidas cautelares atualmente em vigor, ao passo que Ballerini e Santos devem continuar presos.

Wilson Luiz de Brito foi apenado em 22 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão e 917 dias multa. Ballerini e Valdenir dos Santos a 22 anos de reclusão e 650 dias-multa. Cléberson Dias recebeu pena de 12 anos e 8 meses de reclusão e 360 dias multa. Cabe recurso.

Agente da PRF e 2 líderes de cigarreiros em MS são condenados a 22 anos de prisão
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