Advogados pedem absolvição de presos que escavariam túnel até cofre de banco

Alegam improcedência da ação penal e tentam desclassificar os crimes

Na quinta-feira (16), dois advogados de defesa entraram com pedidos de absolvição e de julgamento de improcedência da ação penal para desclassificação de crime para dois acusados de participarem da tentativa de furto à central do Banco do Brasil. Eles foram presos em 22 de dezembro, em ação policial que terminou com 7 detidos e 2 mortos.

A defesa de Bruno Oliveira de Souza, que conduzia o caminhão no momento em que trocou tiros com os policiais e foi atingido por um disparo, pede absolvição sumária. Conforme o advogado, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) não apresentou provas convincentes para ensejar ação penal.

O advogado invoca a presunção constitucional do estado de inocência de Bruno. Já a defesa de Wellington Luiz dos Santos Junior, de 28 anos, afirma que o MPMS não descreveu minuciosamente e de forma individualizada a conduta de cada réu, expondo com detalhes os delitos com todas as circunstâncias.

Além disso, para a defesa de Wellington houve desistência voluntária dos réus perante a tentativa de furto, enquanto na acusação apontam o fato de que eles não teriam consumado o furto por circunstâncias alheias a própria vontade. Vale lembrar que a partir do flagrante e dos depoimentos, foi exposto que os réus deixariam Campo Grande por um período porque cavaram até o local errado, mas pretendiam voltar.

Também há tentativa de desqualificar o crime de compor organização criminosa, apontando que Wellington tinha função de “cavar túnel”, o que para a defesa não constitui atividade criminosa. Por fim, o advogado também pede resultados dos exames de balística e também o sigilo do processo, além da juntada dos boletins de ocorrência.

Relembre o caso

Advogados pedem absolvição de presos que escavariam túnel até cofre de banco
Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Foram aproximadamente seis meses de investigações. Naquela noite do dia 21 de dezembro, os policiais do Garras estavam na região do Coronel Antonino, onde fica localizada a casa usada para escavação do túnel. Os investigadores perceberam movimentação no local e decidiram fazer a atuação para desmantelar a organização criminosa.

Já por volta da 1 hora do dia 22, a equipe voltou ao local e percebeu um grupo deixando a casa em um caminhão e uma Hilux. A equipe viu os automóveis na Rua Dollor Ferreira de Andrade, na esquina com a Rua do Rosário, quando foi feita a primeira abordagem. O motorista do caminhão, Bruno, jogou o veículo contra um dos policiais e a ação foi revidada a tiros.

Bruno ainda conseguiu fugir num primeiro momento e em seguida foi feita abordagem aos ocupantes da Hilux, Barba e José, que estavam com pistolas em punho e atiraram contra os policiais. Os disparos foram revidados e eles chegaram a ser encaminhados para a Santa Casa, deram entrada na área vermelha, mas não resistiram aos ferimentos.

Os policiais conseguiram localizar Bruno já nas proximidades da Santa Casa, buscando por atendimento médico. Ele foi preso em flagrante. As equipes fizeram buscas na casa no Zé Pereira e prenderam Eliane, Wellington, Lourinaldo, Francisco e Robson. Já em outra casa na Rua Iguassu, no Amambaí, foi detido Gilson. Com ele foram apreendidos vários aparelhos celulares, entre outros aparatos.

Os integrantes da organização criminosa foram apresentados em coletiva de imprensa pelo delegado João Paulo Sartori, que também mostrou junto de equipes de policiais do Garras o túnel escavado pelos criminosos, que responderão por roubo majorado.

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